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Sexo no ouvido dos seus filhos

  
Frequentemente meu trabalho une música e crianças (a partir de 6 anos). Quando a matéria da aula concede, permito que elas escolham a música do exercício e por isso eu conheço bem o que permeia pelo ipod delas. Não sou conservador de querer saias abaixo do joelho e nem inocente de pregar casamento virgem, mas confesso que tenho me surpreendido com o que tenho ouvido e visto em crianças ainda menores de 10 anos.  

  O assunto começou a me chamar atenção quando uma aluna de 8 anos me mostrou o clipe da música que havia escolhido. No vídeo uma menina de cinta-liga sensualizava em cima de uma cama cantando frases como “Eu sei o que você quer/ hoje eu vou deixar”. Perguntei se ela entendia a letra e a cara dela me fez sentir um idiota: “Claro, eu tenho inglês desde a 5 série”. Eu relevaria mas a constância da coisa foi me provocando a pensar. Conheci Jeremih -“Don't Tell” cantando “Ela quer chupar meu pau/eu gosto de garotas no chuveiro”. Ouvi Jessie J. cantando “Você tem um grande pau/mas não diga nada”. E mais uma lista imensa a qual sou submetido semanalmente. Na verdade é difícil achar uma música que eles gostem que não tenham conotações sexuais. Repito que não sou um retrogrado alienado, tão pouco um religioso puritano, mas entendem meu ponto? Muitos não estão nem no ginásio..
  Então comecei a perguntar sobre algumas histórias que eles haviam me contado há algum tempo, e fui cogitando que talvez as coisas possam ter alguma ligação. Na escola, fulana desafiou o menino a mostrar “o dele” para ela pegar (5 série). Na festa junina do condomínio, sicrana mostrou o peito para não sei quem (9 anos). E quando subimos para a galerinha de 14-16 anos você não acreditaria nas coisas que acontecem. Não estou dizendo que essas músicas fazem isso com quem as ouve (isso seria um reducionismo absurdo e idiota), mas estou entendendo que cada vez mais cedo as crianças estão sendo bombardeadas por coisas mais explicitas, dentre elas, as músicas. Foi-se o tempo em que a Boquinha da Garrafa ou “chupa que é de uva” era algo ousado. E tudo isso, que nem todo mundo acha um problema, pode estar ligado ao aparecimento de complexos corporais, iniciação sexual na infância e até mesmo o “simples” jeito vulgar de falar e vestir. É como se as divas da meninada de hoje dançassem num mastro e "tranquilo". É importante ressaltar que os males afetam igualmente os meninos, que passam a encarar as meninas de uma maneira mais machista ainda quando vêem Snoop Dogg cantando "cansada de trabalhar das 9h às 5h? Mexa essa bunda gostosa pra mim que eu te levo no meu Cadillac" (música Wiggle). Ou Jason Derulo cantando "Sei do que ela precisa/chupar meu pau no meu avião". (música Talk Dirty)". E as meninas observam que nos clipes as mulheres admiram esse tratamento e meu receio é de que permitam que as tratem assim lá na frente.
  Com certeza existe muita gente que está achando tudo isso que eu estou falando uma grande idiotice conservadora, mas eu só ainda não consegui me acostumar com minhas alunas de 10 anos usando biquínis com bojo e tendo ranking de "as mais vadias da sala" (6 série)...


...ou eu sou um atrasadão mesmo.

A Mulher-Objeto socialmente aceita

(parte 2 de 3)
A mãe de uma aluna é artista plástica e lá eu vi a figura de uma gueixa, quase sensual, e pensei:

No mundo animal, sempre foi o macho o responsável pela árdua tarefa de tentar se tornar objeto de desejo. Afim de angariar fêmeas para reproduzir, eles desenvolveram penas mais coloridas, papos que inflam, sons exóticos e mais um infinito de estratégias. Tudo para tornar-se minimamente cobiçável para o outro, fomentar um apetite por parte do oposto. Mas com a raça humana houve algo de deferente: Os papéis não se inverteram, mas a fêmea deixou seu posto de agente passivo e passou a “investir” igualmente no macho lutando para se tornar também um atrativo. Tal como os Pavões com suas penas, e a Fragata com seu peito vermelho, as mulheres foram desenvolvendo também suas armas. Cabelos, unhas, roupas e adereços são só alguns exemplos de um arsenal cada vez maior para A Missão.
Mas existe um detalhe a se pontuar nos humanos que, imagino eu, seja menos resolvido em nós do que nos animais: nós somos culturalmente machistas. No mínimo temos esta herança histórica. E este machismo, aliado com outras características pessoais como carência, baixa autoestima e até mesmo, simplesmente, gosto, fez com que a figura feminina fosse cada vez mais “objetificada” (tornada um objeto). Não me julgo alguém pudico ou tradicionalista, mas acho curiosa a maneira como tornamos, por exemplo, as redes sociais um Cardápio Humano. É como se estivéssemos perdendo as medidas nessa nossa “propaganda de nós mesmos”. Tudo hoje tem alguma conotação sexual. As músicas na rádio, as fotos na revista, os livros mais vendidos, as novelas e ATÉ (pasmem) os seriados infantis.. E em todos estes a mulher é absurdamente mais explorada. É muito mais comum você ver uma mulher pelada na mídia do que um homem. O que dizer das letras sertanejas? Infelizmente a figura feminina tornou-se um produto consumível e, por vezes, descartável.
Só que existe ainda outro ponto que me surpreende ainda mais: Isso nem sempre incomoda todas as mulheres. Fiz uma pesquisa com 10 mulheres. Perguntei primeiro se elas se incomodariam em serem tratadas como objeto. Todas disseram que “sim, claro”. Depois perguntei se elas se incomodariam em serem conhecidas como um símbolo sexual (um objeto que desperta impulso sexual nos homens por sua aparência física, numa revista por exemplo), apenas 2 não gostariam. Ou seja, parece que “ser objeto” é ruim apenas quando não convém, quando é pejorativo. Existe então a “mulher-objeto socialmente aceita”, aquela que desperta desejo nos homens e, por vezes, é invejada pelas outras mulheres por conta disso. Ser objeto assim, “pode”.
Este comportamento aparece em diversos setores da nossa sociedade. Alguns mais vulgares e escrachados, como um clipe do Mc Catra ou mesmo propagandas de cerveja. Mas também aparece de maneiras mais elegantemente camufladas. Quem nunca foi ao Salão do Automóvel e viu infinitas mulheres inocentemente recheando os carros à encher os olhos dos que passam? Nem estou falando que é errado, mas apenas provando que existem objetificações curiosamente aceitas; que isso é muito mais explorado nas mulheres e que, feliz ou infelizmente, isso nem sempre é um problema para elas.. Por sermos machistas nunca vimos, por exemplo, uma propaganda de bolsa, sapato ou creme anti-idade feita com um moreno saradão de cueca segurando o produto. Mas já cansamos de ver propagandas de guitarras, motos, carros, barbeadores com mulheres “sensualizando”.
Na real, parece que ninguém se incomoda que elas sejam resumidas a, por exemplo, um enfeite de uma marca “com as tetas de fora” (como diria minha avó). Os homens, porque convém e entretém, e as próprias mulheres, porque parece que sacia um aparente fetiche e carência toda essa masturbação de auto estima.
Enfim.. tudo isso só prova que a gueixa chamou a minha atenção e como os homens são bobos... Se eu estou errado? Espero que sim.

A História do Sexo Moderno. Desejo, Excitação e a Revolução Feminina de 60'.

  (texto 1 de 3)


  Já desde o Iluminismo francês do século XVIII que o sexo urrava por uma Revolução. Marquês de Sade, por exemplo, um escritor aristocrata meio maluco, já escrevia sobre a ideia de sentir prazer sexual na dor (daí o Sadismo, masoquismo e o famoso sadomasoquismo). Chegou até a ser preso por Napoleão! O tal termo “Revolução Sexual”, mesmo sendo usado desde 1910, só ganhou força na década de 60’, nas lutas contra o puritanismo da Guerra Fria e daí em diante não parou mais de ganhar projeção. Com o final das guerras mundiais as mulheres tornaram-se trabalhadoras assalariadas respeitadas e essa independência financeira culminou na explosão de debates sobre nudez, homossexualismo, masturbação e aborto. Mas o marco da Revolução dos anos 60 foi, sem dúvida, a Pílula anticoncepcional. Foi uma libertação feminina não só de conceitos, mas também na prática, e é aí que eu queria chegar.
  Hoje conseguimos ver que foram muitos também os legados negativos de toda aquela luta, e talvez o pior deles foi o consumismo, do outro. Tornamos as pessoas não apenas um produto, mas um artigo descartável. Um bem não-durável. Na “euforia da alforria” a liberdade se confundiu com libertinagem e a promiscuidade sexual passou a ser socialmente incentivada. A busca insaciável por novas experiências, mais ousadas e com cada vez mais parceiros casuais cresceu exponencialmente e a esse comportamento de busca incessante pelo novo, dá-se o nome de Desejo. Conheço pouco de Platão, mas sei que ele disse assim: “Desejo é o impulso que nos instiga na direção de possuir algo, ou alguém que não temos”. Você pode ficar feliz por comprar um carro novo, mas não mais deseja-lo uma vez que você já o possui. Então, gradativamente aquilo conquistado vai perdendo o poder atrativo, até que você cansa e passa a desejar outra coisa nova. O Desejo é “externo”, é visual, tem seus baseamentos galgados na vontade e no momento, na moda e na muitas vezes na autoafirmação. Pra piorar, ouve naquela época um estouro da pornografia, que foi lentamente padronizando os costumes íntimos à inconscientes imitações do mundo comercial e fantasioso “erótico” dos filmes. Me refiro aos gemidos, preferências e principalmente a subserviência sexual feminina (o filme sempre acaba com o orgasmo masculino, não o feminino. E virou assim na vida real).
  É sob essa lógica superficial e “rotativa-infinita” de valorização do Desejo (que liberta as mulheres ao mesmo tempo que desvaloriza) que as gerações seguintes foram, predominantemente, construindo seus relacionamentos. E esse método é frequentemente frustrante porque privilegia um estereótipo em detrimento de outro. Existe um perfil físico (peito, bunda, cabelo) e comportamental (extrovertido, falador) ideal. O problema é que com o tempo as esposas vão perdendo o bumbum durinho. Os homens não ostentam mais os vigorosos braços e aquilo tudo vai ficando desinteressante aos olhos. De repente, tudo o que sobra no parceiro é “ele por dentro”. Sexualmente, um corpo de muitos anos não é tão convidativo e isso faz dos parceiros, escolhas cada vez mais provisórias.
  Existe saída para casais que queiram manter o interesse mútuo (também sexual) pela vida toda?

  O mais “pop” dos psicoterapeutas, Dr. Flávio Gikovate, diz que sim, se o relacionamento for firmado sobre o conceito de Excitação. A diferença é que, ao contrário do Desejo, a Excitação é interna. Embora possa ter erupções no corpo, ela é psicológica. Um casal educado a se excitar pensando no que há dentro do outro, não vira servo da aparência e inimigo do tempo. Na prática é mais ou menos assim: Não se instigar sexualmente apenas com o “aparente” do parceiro, mas também “com o que está passando na cabeça dele naquela hora”. Entende a diferença? É ser livre da escravidão da novidade. É construir um companheiro excitante no íntimo. É tornar a mente cúmplice e estimulante. E não é abolir o Desejo, mas se preparar para quando ele não mais estiver. É tornar o outro, antes de tudo, uma tentação interna. Porque esta, dificilmente o tempo leva, ainda que o bumbum caia...

Já viu o HINO NACIONAL em FUNK?!


 

Essa semana postei no Facebook um vídeo de alunos da escola Senador Humberto Lucena (Paraíba) dançando uma música na abertura de sua Amostra Cultural. Até aí nada de mais, não fosse a dança um FUNK e a música o HINO NACIONAL. Algumas pessoas não entenderam a minha desaprovação, então aqui vai a explicação do meu ponto de vista:


SOBRE HINOS:. Essa história de ter uma música que representa um grupo de pessoas é muito antiga. Já na Idade Média era comum que músicos compusessem letras primeiro encorajando às batalhas, depois celebrando as vitórias. Lá no Oriente, por exemplo, os exércitos também eram precedidos por músicos e seus tambores. Eles eram a linha de frente dos batalhões de guerra (“taikos”, no Japão). Com o tempo essas músicas foram acumulando em seus versos as histórias dos povos e por isso, ganhando muita importância. Olha só que legal:


“Heróis do mar, nobre povo/Nação valente e imortal/Levantai hoje de novo/O esplendor de Portugal!”. Este é o hino de Portugal, um povo culturalmente marítimo, dos mais corajosos da história antiga. Outro: “Esses ferozes soldados?/Vêm eles até nós/Degolar nossos filhos, nossas mulheres/Às armas cidadãos!”. Este é o da França, que embalou as revoluções do século XVIII. Entende o ponto? Muita gente morreu nesses versos, existem séculos de história aqui. Musicalmente digo que o hino brasileiro é o de encadeamento de acordes e intervalos melódicos mais sofisticado que já vi. Enfim, vamos continuar.


SOBRE MANIFESTAÇÕES ARTISTICAS: Eu sei que a Cultura é algo vivo e em constante movimento. Sei que cada tempo e cada grupo de pessoas tem suas formas de expressão. Sei também que a cultura de cada “gueto” deve ser valorizada e que cada um se expressa como pode e quer. Aliás, tenho um projeto cultural que lida exatamente com essas questões (Projeto Ipê Amarelo/Lei Rouanet/13708 no Diário Oficial). Também já vi o hino nacional “repintado” com várias cores e isso nunca me incomodou. João Gilberto em bossa, Hamilton de Holanda em seu bandolim, Fafá de Belém e até o Carlinhos Brown com seus batuques. Mas todos eles tinham algo em comum. Todas essas versões aconteciam com um certo ar de reverencia. Todos me passaram algo de cortesia, mesura, homenagem, emoção.. havia um temor que me fazia entender que “era alguém oferecendo tudo o que tinha, como presente à música de seu povo”. O Thiaguinho e o Péricles já o tocaram em pagode, e com um respeito e elegância emocionantes. O Angra já tocou em heavy metal, e com uma energia e respeito comoventes. Poderia dar centenas de exemplos bons..


O que se passou é que, por algum motivo, rapazes levantando a camisa mostrando a barriga, meninas com as pernas de fora “levantando a perninha” e descendo até o chão.. por algum motivo isso não me convenceu. Não achei bonito. Reconheço até que houve uma ideia de “vamos maneirar galera”, mas não rolou. Vai ver a culpa é minha.. vai ver eu que sou conservador de mais.. Talvez até seja minha “mente poluída” que ligue automaticamente aqueles movimentos inocentes a algo de insinuante, provocante. Sei é que definitivamente o hino nacional não me dá tesão algum. Ele me emociona e gosto de alimentar esse sentimento para com ele. Não quero entrar no mérito do estilo. Não resuma todo meu argumento em “funk é ruim” ou “é preconceito”, pelo amor de Deus, nem tenho mais saco pra isso. Estou falando que existe um “erótico” transbordante nesse estilo (desde sua origem no RJ) que pra mim, não encontra contexto no hino nacional. Mais que isso, seria a última música onde eu o poria em prática (ou melhor, a última seria Ave Maria, de JOHANN S. BACH).




E se nada disso tudo te fez nenhum sentido, aí eu fico mais triste ainda. Porque a última, das últimas, das últimas tradições que poderia ainda manter algum resquício de nacionalismo saudável, bonito, romântico... se acabou em você.

Sobre o seu Ipod, Sambô e um pouco além...



  Hoje é muito normal encontrarmos pessoas se policiando na alimentação. Elas leem os rótulos e contam as calorias. Mais fácil ainda é encontrarmos quem se preocupa com o que veste. Consumidores cada vez mais severos e criteriosos com os tecidos, texturas, cortes e cores. Arrisco dizer que até o linguajar pode ter mudado sensivelmente. Acho que ouve-se menos palavrões nas ruas do que há alguns anos. Muitos pontos estão evoluindo rapidamente e isso é ótimo! Mas eu ainda não entendo uma coisa: porque ainda não aprendemos a importância de também sermos mais cuidadosos com o que ouvimos? Comemos salada, gastamos o salário numa boa roupa, pagamos academia e tentamos até ter posições e opiniões políticas... mas no Ipod, vale tudo.
  Os principais (ou únicos) argumentos são “magina, é só pra se divertir”, ou “é brincadeira”, ou mesmo “olha a batida que contagiante!”. Ok. Eu, como músico, sei da importância, influencia e do prazer de um ritmo envolvente! Mas olhe comigo este exemplo:
  Caso não conheça, existe uma banda chamada Sambô, que ficou conhecida por fazer (e muito bem) versões em samba de músicas conhecidas de outros estilos. Além de uma baita estratégia comercial, foi também uma boa sacada musical, vista a qualidade dos integrantes. Assistindo o DVD –“clima barzinho”, com cerveja e quadris frenéticos-, eu estava realmente gostando, até que.. Começaram a tocar Sunday Bloody Sunday, do U2 (banda que nem gosto tanto). Esta é a primeira faixa do álbum War (Guerra), de 1983. A música narra, e com detalhes, o massacre do exército britânico aos manifestantes (em grande parte crianças) num domingo de manifestação pelos direitos civis. Pra se ter uma ideia, a bateria foi feita para imitar uma marcha militar e a guitarra lembrando uma metralhadora. Olhe a letra:

“Garrafas quebradas sob os pés das crianças
Corpos espalhados num beco sem saída
Há muitas perdas
mães, crianças, irmãos, irmãs separados
Domingo, domingo sangrento
hoje milhões choram
Enxugue as lágrimas dos seus olhos
Nós comemos e bebemos enquanto amanhã eles morrem
Num domingo. O Domingo Sangrento”

  Eaí? Está no clima para canta-la num churrasco com mulatas levantando seus copos? Entende agora o que quero dizer? Ou será que eu estou, novamente, fazendo uma tempestade num copo d’água? Será que realmente não está na hora de amadurecer também o seu ouvido? É como fazer uma música para aquele fatídico dia no Carandiru e canta-lo em coro na Copa do Mundo depois de um gol.
  Se essas situações realmente não te incomodam; Se verdadeiramente pra você o que importa é só o ritmo, a despeito da letra; eu não tenho argumentos suficientes para sanar sua deficiência, possivelmente de criação. Porém, se algo do que disse te fez pensar, deixo aqui a sugestão:

  Assim como você faz com as frituras, com as roupas listradas, xadrezes e com bolinhas, com o refrigerante, com os palavrões à mesa, com as fotos suas que posta na internet... preste também atenção ao que ouve. Não passe tanta vergonha por falta de instrução. Faça questão disso. Afinal, a ignorância só é tratada elevando os níveis de aceitação para com o que deixamos entrar.

Obrigado, Minoru Raphael

Músico.

A História de Theodoro Vassarionovich, em poema.







Desceu do trem. Trazia consigo três tragédias.


Atravessou a Praça Treze. 


Seu traje era fino para o frio que era. Camiseta e cachecol de tricô. 


Não havia mais nada. A vida não lhe dera troco. 


Trapo. Tropo.


Torpe. Atroz. 






Da bituca no chão, um trago.


Do que escapou das mãos, um triz.






O trovão traduzia bem o peito traído.


Tratava-se de algo trágico. 


Um trauma trivial aos que passavam. 


Travado pela bebida, sentou num tronco. Tremeu um trítono de trova antiga.


Mas só um trecho, não lembrou tudo.






Avistou uma porta destrancada. 


Na frente, uma luz vermelha e trêmula. 


Traçou o trópico daqui até ali e cruzou o tráfego tropeçando nos transeuntes. 


“O Cortiço”, trazia a porta. “Mulheres trabalhando”.


Da porta sem triagem, aos trancos, se humilhou até outro andar. Já um triunfo.


Talvez transar amenizasse a tristeza. 






Nunca tramitara por essas trocas. Parecia um trapalhão tentando transgredir seus próprios tratados.






Como no peito já era vazio, pode apenas tratar de esgotar os bolsos.


Trezentos cruzados. Fretou um romance de aluguel.


Qualquer tranqueira. Semblante tétrico. 


Trepou.


Frenético, numa frequência frígida.


Seu corpo em Luto, pela alma que morrera antes. 






Até que ao fundo tremeluziu um tom.


Alguma música...?


(...)


Aquela música! 


Trompetes! 


-Transcendeu-


Trinados de Jazz. Talvez um trio?!


Como uma truta pescada das trevas, aquele tilintar metálico e doce trouxe vida ao homem sem trajes!


Vida! 


Santa trindade!


Do acaso, uma trégua ao coração atrofiado!


Um trilhão de ideias renderam uma Esperança!


Toque! Toque! Toque! -suplicava ao rádio-


E assim, diante de tamanha tribulação, sobrepôs-se a Música, tremenda. 


Num fôlego.




Nota: A imagem foi um presente do artista Gabriel Gudin, especialmente para este texto.

E fez toda a diferença.

Justin Bieber, 9 prostitutas e meus ídolos.


Quando eu tinha uns 10 ou 15 anos, meus ídolos eram basicamente dois, primeiro o Jiraya e depois veio o Johnny Bravo. O primeiro era um japonês aparentemente normal, mas que quando pisavam no seu calo ele colocava uma mascara vermelha, pegava uma espada milenar e arrepiava com golpes e palavras poderosas em mandarim (não sei porque o mandarim se ele era do Japão, mas beleza).  O segundo era um completo idiota. Muito forte nos ombros e braços mas com perninhas mirradas, semianalfabeto e extremamente exibido com seus inseparáveis óculos de sol e suas roupas justinhas. Não passava de uma montanha de músculos monossilábica que tratava as mulheres de um jeito muito.. “característico”. Elas sempre terminavam batendo nele.
  Falando assim eu sei que parece ser algo ridículo e que não faz sentido algum assistir. De fato era ridículo, e certamente não prenderia a atenção de muitos pré-adolescentes de hoje em dia e é aí que eu quero chegar! Imagina comigo: Um menino de quinze anos com seus lindos óculos Ray-Ban (iguais ao do Jhonny), com seu “radar de gatas” mais precocemente afiado do que nunca (igual ao do Johnny), sua camiseta coladinha (igual a do Johnny), e com aquela preocupação escolar peculiar (uma vez que vivemos a era onde muitos pais entram com recurso contra a escola se o filho repete), e sua maior preocupação semanal: ser bombadão (não preciso falar nada). Ele não vai achar graça nenhuma em assistir! Claro, ele é a própria figura ridicularizada em questão! Até o topete e o tratamento com as garotas se encaixam! Acho só que hoje as garotas não terminariam dando um tapa no anti-herói pela maneira como ele lidaria com elas, até por ser exatamente o nível das músicas que muitas adoram. Não, definitivamente eles não achariam graça...
  Muito menos do Jiraya que mora numa aldeia e ainda por cima é japonês. Talvez das partes que ele corria loucamente com sua moto, ou dos momentos em que ele estourava e partia pra cima.. Mas ainda assim.. Imagina que eu conheço meninas que postam vídeos no Instagram onde elas não fazem, nem falam absolutamente nada! Ficam apenas mostrando seus vários ângulos e dando aquela mordidinha na língua. Como fazer uma menina dessas gostar de O Mundo de Beackman e suas alquimias ? E o mais curioso é que isso rende milhares de compartilhamentos e comentários (literalmente milhares!). Até o “Super-Ninja” e o Bravo Johnny tinham seus momentos de propósito, lucides, amor ao próximo e essas coisas “bobas”. Vira-e-mexe o Johnny ajudava seu atrapalhado amigo Cacá, e o Jiraya sempre terminava salvando o mundo e dando um ensinamento oriental no final. Talvez hoje não haja mais espaço para essas “besteiras”.
  Basta ir a um evento da Capricho (por duas vezes já levei a Tuca) ou mesmo ver os cantores norte americanos endeusados. A “Zoey 101”, irmã da Britney Spears, que apresentava seu programa infantil no canal Nick, já teve seu primeiro filho com 16 anos. A Miley Cyrus (Hannah Montana) deixou “vazar” fotos suas se masturbando, assim como da Gabriela do High School escaparam fotos nuas. Demi Lovato, cantora (21), teve de ser internada para tratar seu problema com automutilação (quando a pessoa se machuca voluntariamente).  Esta semana o Justin Bieber veio ao brasil. Barracas se acumulavam na calçada do Anhembi quase um mês antes do show. Aqui, ele pichou um muro, “causou” numa balada, quebrou o quarto em que estava hospedado, foi expulso do hotel e fez uma orgia com 9 prostitutas.

  Rs... e eu aqui querendo começar a falar do pica-pau..