Mostrando postagens com marcador velório. Mostrar todas as postagens

Rose, Rosas e Rosés

 
Àquela que casou e vai embora, minha Saudade.
  Que seja novo e excitante. Bastante!
  Que seja amante e não-fácil.
  Que lambuze à sujar a renda, que seja prenda e insinuante a fase que vem!
  Sejam um do outro e Usem um ao outro, porque é também prazeroso ao Amado ser objeto de desejo do Um.
  Que além de eficaz, seja bonita a história contada daqui há algum tempo. E completa, com tudo de ruim que vem junto quando se pede o lanche pelo número. Isso, que hajam também dias ruins pra colorir os bons que chegarem. As vezes a peteca cai e nesses dias seja Luto por inteira. Só após os funerais existe espaço para o recomeço. Não houve duas primaveras sem um inverno no meio. E porque é assim, fica mais bonito.
  Seja nostálgica e passe vergonha por Amar demais. Suba nas mesas e se declare esparramada Apaixonada. O Amor carece sim de declarações públicas. Seja rosa e atraia rosas.
  Aos que ficamos, lembre de nós e quando alguma coisa acontecer, cite os nomes! Caso não aconteça nada que remeta aos daqui de longe, invente algo que aconteceria se conosco. Nos mantenha presente.
  Mais do que ser uma boa esposa e exigir os direitos do papel e do anel, Inspire atos. Sim! Faça de você uma daquelas mulheres que dá aos homens vontade de poemar. Leia-se Poema, entenda-se uma Poema. Você bem sabe que seu som é elegante e florado como um bom Pinot Noir. Os brancos e os tintos são bons, mas não perca a sensibilidade para as nuances-de-meio-de-caminho que os rosés têm.
  Ceda à ele. Seda à ele.
  Em noites quentes, não negue dar-se de trepadeira ao Crisântemo. Faça caldo dele até que escorram Amoras.

  Mas se um dia acordar e achar que já deu, volta ué. Todo ano tem Natal e sua manjedoura é lugar cativo em nós. Remoce quantas vezes achar que deve. Estaremos sempre aqui atrás com violões e taças cheias.


Vida longa aos noivos.

Sobre o meu velório

 
Desculpe a ousadia do tema, mas com as aventuras diárias do mundo atual, gostaria que ficasse sabido por todos e com firma reconhecida.
  Sobre a minha morte começo dizendo que prefiro elogios, críticas e sugestões ainda em vida. Acho mais honesto e bonito assim, além de ser mais construtivo, se é que você me entende. O corpo, quero que seja rapidamente descartado (peço apenas para checarem bem se eu não estou lá mesmo antes de concluírem os protocolos fúnebres. Já assisti uns documentários no Discovery Chanel sobre algumas doenças que me botaram certo medo). Não quero gente chorando em volta daquele que não sou mais eu e olhando no relógio para conferir quanto daquilo ainda falta. Também não me venham com aquelas coroas de flores que, eu sei (!), já participaram de outros velórios e foram apenas recicladas com outros nomes. Também não tenham a preocupação –elegante, mas ultrapassada- de vestirem preto. De monocromático já basta o momento.
  Ao invés de tudo isso, mandem aquilo-que-foi-eu para a cremação sem cerimônias (volto a frisar que me chacoalharem bem antes e até alguns tapas na cara, tenham certeza!). Não façam muito alarde, mas postem no meu blog apenas a palavra “Fim”, para que aqueles que se importam sejam avisados. Escolham uma foto bonita pois será o último post da minha cidade (minhas senha e login estão na segunda gaveta da esquerda, junto a umas fotos do colégio). Recebam todos em nossa casa, sirvam bem eles. Escolham algum bom baixista para tocar de fundo, talvez Ron Carter ou Charles Mingus e não deixem a música calar. Sirvam churros, pastel de queijo e também o bolo da tia Lu. Usem o tempo para conversarem e rirem. Caso lembrem de alguém a quem tenham magoado, liguem e peçam perdão, digam que estão numa festa e lembraram dele. A Tuca fará o bolo de cenoura dela e a Re fará a torta de limão, muitas delas! Quero que todos experimentem como fui bem tratado. A Júlia fará pão de queijo com catupiry.
  Caramba, como eu queria estar aí..
  Quando entardecer juntem os menores e vão no lago dar pão para os patos. Minha vó sempre guarda pães velhos no armário da lavanderia. Abracem muito a minha família e, pelo menos por um tempo, frequentem a minha casa até que eles fiquem melhor. Prometo que se lá de cima eu puder fazer algo para não chover neste dia, eu o farei. Mas se não der, tomem chuva. Se molhem à toa e achem graça nisso. Minhas roupas serão distribuídas para que todos voltem secos para casa.
  Ao final do dia, de mãos dadas orem. Agradeçam por tudo que somos e pelas pessoas que temos. Tenham a certeza de que amei a vida até o último pó da rabióla e que fui um homem inundado de sentimento.
Conheçam aqueles que vocês não conheciam até este dia, apresentem os solteiros e riam disso.. Após tudo, será servido o pão e o vinho e todos voltarão em paz e em segurança.

  Tetelestai, literalmente.