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O poema da toalha roubada



Já há algum tempo que eu inventei de tomar banho sempre roubando a toalha da minha irmã. Não importa se a minha está seca e ao lado, só uso a dela. Com a autoridade de alguém de 12 anos ela se emburra e, contrariada, tem de se secar com a minha. Hoje escreverei este texto pra ela, explicando tudo.
  Tuca, sabe, eu venho percebendo que estou ficando mais velho e que logo trocarei de fase, como as cigarras ou as lagartas que crescem e se mudam para outras árvores. Passarei para alguma outra etapa da vida que ainda não sei explicar. O que sei é que nos teatros todos os cenários mudam e as vezes até os personagens. Para permanecer em cena precisamos criar algo de Eterno em nós. Por isso pensei em alguma coisa que me colocasse pra sempre na sua parede, como um quadro bonito que sempre te gera um sorriso fácil quando passa por ele. Pensei nas toalhas...
  Um dia eu posso não estar mais por aqui, ou você. Não estou falando que vou morrer hahah, mas que a vida é viva e os caminhos são de infinitas possibilidades lindas! Então um dia, quando for tomar seu banho (e espero que você tome banho todos os dias hem!) você vai olhar para sua toalha, rir e pensar “caramba.. filho, deixa eu te contar uma coisa que me deixava doida na sua idade. Meu irmão sempre me roubava a toalha e eu ficava louca! Hahah”. Talvez ele não entenda nada, mas neste dia você irá entender que eu me tornei eterno em você.
  Não cobre dele entender, mas pense em algo que também te faça imortal na vida dele.. anos depois ele entenderá, ainda que apenas no dia em que ele for tomar banho e a toalha que estiver lá seja a dele mesmo...

Minha despedida


Ontem acabou.
 Possivelmente muitos de nós não nos encontraremos mais. E não faremos isso por falta de vontade, ou por não haver saudade.
  A vida é esse turbilhão mesmo, que arrasta a gente pra cá e pra lá, sem perguntar.
  Mas não se esqueçam de nós, dos nossos almoços eternos, das fotos, do dia da quadra.. Das nossas aulas de sonho.
E sobre a Vida, Manoel de Campos dizia que “A poesia é a voz do poeta, é a voz de fazer nascimentos”. Que quando vocês falem, que as coisas renasçam, porque é bonito assim. Sejam úteis para o mundo.. Tenham mais valor vivos do que mortos. E que tenham como Fernando Pessoa, sobre vós “todos os sonhos do mundo”. Porque só faz sentido assim.
  Tenham certeza que juntos nos tornamos eternos…
  Agora vão, o trem do tempo está esperando... Mudem o mundo! Tenho certeza que ouvirei falar de vocês.. E quando não der, voltem. 

  Recarreguem. 
  E partam de novo.
Porque ontem acabou.

20 Tipos de Alunos (um post ousado)


  

Gosto desses programas de animais no Discovery Chanel. Posso ficar horas assistindo um apresentador sujo de lama falar da alimentação da capivara, ou dos estranhos costumes do mamífero marsupial da família Phascolarctidae endêmico da Austrália, vulgo Coala. Mas poucas coisas são mais interessantes e imprevisíveis como Os Tipos de Alunos de Música. Tentarei listar alguns, apenas.








1. O Estrela de Verdade: Ele é realmente bom. Seu amigos são seus fãs e ele brilha nas apresentações da escola. Nasceu com o “borogodó”. Mas o problema é que ele sabe disso. Se trata em 3ª pessoa, e te trata como assistente de palco.






2. O Estrela de Mentira: Esse é igual o Estrela de Verdade, só que ruim. Não sabe fazer nada bem, mas isso não lhe parece um problema. Se grava e posta nas redes sociais com a maior confiança.






3. O Estrela Cadente: Ele começa as aulas, é um gênio virtuoso aos 10 anos, mas para. Foi fazer aula de futebol na escola.






4. O Estrela Decadente: Ele tem 50 anos, 50 instrumentos e 50 justificativas para nunca ter aprendido nenhum deles.






5. Aluno Amigo: São os mais legais. Muitas vezes a aula sai do ambiente convencional e vai para um show, por exemplo. O tempo voa e a matéria também. Pode-se conversar com ele sobre tudo.






6. Aluno Inimigo: Definitivamente você é um oponente e todo cuidado é pouco. Geralmente são crianças que não queriam fazer aula com você mas a mãe obrigou. Nunca beba nada que eles oferecerem.






7. O Ligeiro: Nunca faz a lição, então sempre aparece querendo te mostrar um vídeo ou música para tentar direcionar a aula. Mas quando vê que você está perdendo a paciência com tanta enrolação, ele aborta a operação na hora.






8. O Lento: “Hoje vamos aprender o Dó maior. Poe o dedo ali. Não, ali. Não ali... Não... aqui não, ali... tá, mas não tira esse daqui... Deixa esse dedo aqui e põe o outro ali.. isso.. Não. Isso... Não, ali.”






9. O Sem Novidade: Ele vem.. faz aula.. e vai.. fim.






10. O Injustiçado: O sonho dela era tocar bateria. A mãe deu um piano. Dica: não se meta nesse conflito.






11. O Legal com Mãe Chata: Esse aluno é demais. A aula é leve, vocês dão risada e a matéria deslancha num ritmo agradável e produtivo. Mas a mãe não ajuda em nada. Não valoriza e muitas vezes nem sabe identificar os avanços. Ela queria mesmo que ele fizesse kumon. O professor nunca é bom o suficiente pra elas, porque “bom mesmo era aquele outro”.






12. O Chato com Mãe Legal: Geralmente são gordinhos que só pensam em videogame, comida e bonés. A mãe oferece tudo e ele sempre tem todos os instrumentos! Mas não tem vontade de tocar nenhum...






13. O Competitivo: “Hoje vamos aprender o Ré”, e ele “O Pedro já aprendeu o Ré? Mas ele tirou quanto? E ele faz assim rápido? Você já ensinou o Ré pra mais alguém?” Parece até que ele gostaria que o ré fosse algum tipo de segredo nosso.






14. O Mimado do Cara&*$#: Vê que você comprou um violão e diz “meu pai comprou dois”. A dica aqui é não bater nele, senão ele vai parar de fazer aula.






15. A Problemática em Crise: “Nossa.. eu não vou conseguir isso nunca. Não é pra mim. Todo mundo demora assim como eu? Ah não, na sua frente eu tenho vergonha. Quando você for embora eu treino! Prometo!” (?????)






16. O Misterioso Investidor: Ele nunca aparece, mas sempre paga em dia. É interessante... tipo um patrocinador... só.






17. O Misterioso Acidental: Esse vem sempre, só não vem em dia de pagamento. Acidentalmente.






18. O Sem Noção: “Bom dia, eu queria aprender a tocar guitarra pra montar uma banda e fazer um clipe.”






19. O Atrapalhado: Chega a mensagem no meu celular “kd vc? Esqueceu d mim, d novo?!” e sou obrigado a responder “Cara, hoje ainda é Terça-Feira, de novo”.






20. A Criança Moderna: Faz aula de violão e só pede pra eu ensinar musica eletrônica.



10 MANEIRAS DE EXPLICAR PARA DIFERENTES CRIANÇAS QUE A TONALIDADE DE DÓ MAIOR NÃO TEM SUSTENIDOS, NEM BEMÓIS:




-criança hiper-ativa: “olha aqui, quando aparecer C, não encosta nem aqui, nem aqui e nem aqui. Valendo!”.


-criança depressiva: “sustenidos e bemóis são ruins, por isso, vamos tirar todos eles do nosso amigo Dó!”.


-criança gorda: “O Dó adorava comer sustenidos e bemóis antes da janta. Mas ele comeu demais, agora está sem...”.


-criança mau educada: “Sabe o que aconteceu com o Dó que não fazia lição? Virou o única nota sem sustenidos… olha lá ele sozinho”.


-criança precoce: “Começando a série harmônica por um Dó 262,6Hz, todo o resto sai múltiplo natural”.


-filho de crente pentecostal: “Não tem porque não tem! Deus quis assim. Vamos logo para o Ré. E não pergunte mais!”.


-filho de crente neo-pentecostal: “Era o sonho de Deus que o Dó quisesse um sustenido, mas ele não quis. E tudo bem”.


-criança humilhada pelo irmão mais velho: “Hoje o Dó ainda não tem sustenidos, mas um dia ele vai crescer e ter vários! Como todos os outros!”.


-criança calva: “O Dó é careca de sustenidos, mas ele é lindo! toca aí pra você ver, o som é o que importa!”.




-criança burra: "Sabe os sustenidos?”, “Não..”. “tudo bem, não tem nenhum mesmo”.

Sobre o feijão da Dona Iraci


Hoje eu tenho carteira de motorista e namorada.
Hoje eu tenho assinatura e um cartão de banco com o meu nome nele.
Quando tem eleição eu tenho que falar de quem eu gosto mais,
e até correspondências de cobrança já chegam pra mim.
Tenho barba
Tenho aluno
Tenho diploma...


Mas o feijão da Dona Iraci eu nunca esqueci.

O valor de um Biscoito



  No final do século 13, entre 1274 e 1281, o povo mais violento da Ásia Central, os Mongóis, estava dominando o Oriente. Após destruírem a Coreia eles seguiram para o Japão. Eram quase 23mil guerreiros distribuídos em cerca de 900 embarcações marítimas. Na costa japonesa, os valentes samurais lutaram como nunca antes, mas eram poucos. Diante da situação aterrorizante o imperador ordenou que todos os jovens (meninos) se dirigissem ao litoral para defender a Terra do Sol Nascente. As mães, trabalhadoras rurais em sua maioria, viram seus filhos ineditamente empunhando espadas e marchando para o Norte. Numa atitude que só podia ser materna, prepararam “merendas” para o caminho. Pegas de surpresa, usaram os ingredientes que tinham e fizeram uma espécie de bolacha à base de trigo, milho e folhas de laranjeira. E é aí que eu queria chegar.
  Aqueles não eram simples biscoitos, eram as lágrimas de suas mães se “literalizando” em Alimento. Era tudo que um coração poderia sangrar de Esperança. Havia naqueles biscoitos um infinito de sentimentos, um amontoado de emoções. Medo, desespero e tristeza, mas também honra, orgulho e fé. Imagino que deveriam ser embrulhos Sagrados. Gosto de pensar que eram sagrados, que estavam envoltos em panos bonitos. Talvez os melhores que elas tivessem. Aqueles eram biscoitos feitos de Sonhos. Sonhos de que voltassem, e bem! Sonhos de que a guerra acabasse e que a vida reconstruísse. Sonho que fazia o coração acelerar, a mão tremer e que transbordava a candura, saindo pelos olhos em salgadas gotas de lágrimas. Deus do céu... como eu queria experimentar aqueles miúdos..
  Eu tenho alguns alunos e hoje apliquei uma daquelas provas bem difíceis. Daquelas que eu mesmo temia quando estava no lugar deles. É diferente estar do outro lado. São alunos que aprendi a amar e a me alegrar na Alegria deles. E porque sei que o acaso vem num turbilhão de possibilidades e pode nos surpreender quando acordarmos amanhã, hoje eu senti vontade de orar por eles.
  Meus caros meninos, que a inquietude da juventude não lhes façam perder a fé. Que as incertezas da batalha que é a vida não lhes esfriem a chama do Sonho. Imagino que as mães daqueles soldados gostariam muito que eles, ainda que marchando para a luta, não deixassem de perceberem as flores no caminho. E que seja assim com vocês, sempre. Que as dificuldades do Crescer não lhes amarguem o caldo. Tenham a certeza de que todos somos samurais, cada um com as suas guerras pessoais, e que mais precioso que a vitória é a Honra. Sempre digo à vocês que “vocês não podem se contentar apenas com resultados positivos, mas que devem fazer questão de que a história seja bonita”. Não esqueçam disso! Então, estabeleçam um objetivo na Vida e marchem! Ainda que o Sonho mude a cada dia, a vida só é Vida quando se está marchando com propósito. Aprendam a usar suas espadas e a valorizar os biscoitos...
  Então, depois da prova, fomos para a escada dar uma relaxada e recuperar o fôlego. Eu tirei da mochila um pacote de Sembei, que é a variação atual daquela antiga receita japonesa. Contei a história (me segurando para não chorar) e fomos passando o saco. Comemos ali mesmo, na escada, e foi bonito assim. Havia algo de Sagrado, pra mim.

  Termino agora respondendo a pergunta que vocês me fizeram enquanto eu saía: Sim, o Japão ganhou aquela guerra. Na inesquecível primavera de 1281, os valentes samurais, em número absurdamente menor, expulsaram os Mongóis. Eles, xintoístas fervorosos, acreditam que foi graças aos Deuses da Terra, do Fogo e do Vento. Juram que foram os ancestrais que controlaram a força do mar. Mas.. me digam, meu meninos.. nós sabemos qual foi o segredo. Não sabemos?

3 lobos, um menino e um Morango

   
Um velho me contou a estória de um menino que fugia de três lobos. Sujo, quase sem ar e sangrando, ele desviava de galhos e pulava pedras. De repente tropeçou numa raiz e escorregou sem controle por um barranco até ser arremessado no vazio de um precipício. Agarrou-se num galho na parede do abismo. Em cima os lobos salivando, embaixo o escuro da garganta sem fim. Cada segundo durava 3 dias. Os dedos lentamente desli s a v  a  m....
  -O que é aquilo?!
  Inesperadamente, um pouco à esquerda, havia ali um galho que ostentava um brilhante morango, bem na ponta. Não sei se era o momento, mas parecia o morango mais suculento jamais experimentado. Era vermelho como uma tulipa no fim do inverno, provocante como uma dançarina de tango. Sem pensar duas vezes, o fugitivo usou todas as forças que lhe restavam e se esticou. Apanhou a fruta e mastigou à escorrer pelo pescoço. Sempre penso que ele fechou os olhos nesta parte.
  A estória acaba aí. Assim, mesmo. Me apaixonei por esta estória e lembrei dela nestes dias.
  Até pelo ramo profissional que escolhi, sou rodeado de medos, sonhos, incertezas e inseguranças. Nunca sei ao certo como será o ano seguinte. Seja com notas ou letras, não tenho escolha a não ser compor um dia de cada vez. Mas vez ou outra Deus me manda uns morangos. Acabo de viver dias inesquecíveis ao lado de dois caras especiais, Lucas Peixoto e Ivan Dalton Lima, amigos desde a primeira série. Fomos, literalmente, até o Fim do Mundo, conhecemos paisagens onde homem nenhum habita. Sentimos o frio da geleira que mata, o vento das pedras que cortam. Dirigimos até depois de onde o olho alcança e nos prostramos diante da opulência da mãe Terra. Mas mais que a aventura, meu morango foi o tempo com eles. Estamos tão diferentes.. Diferentes uns dos outros e diferentes de nós mesmos naqueles recreios em que jogávamos tazos. Um engenheiro matemático, um administrador acelerado e um músico escritor.
  O morango é isso, ele não muda necessariamente o final das histórias, mas te dá fôlego. Ele não elimina os lobos e os desafios da vida, mas nos embala no colo como alguém que te ama de um jeito maternal. O morango não é uma mágica, mas um Sopro. Um Sopro de vida que entra nos pulmões e grita “vamos pra cima! Tenta de novo!”. Os morangos são como pequenos oásis no deserto onde os forasteiros encontram abrigo e água fresca. E os oásis não diminuem o tamanho nem o calor dos desertos, mas multiplicam as esperanças.
  E Deus falou comigo por meio deles. Dividimos planos, vontades e medos. Sonhamos nossos futuros e sangramos nossas limitações, mas dividindo parece mais fácil. Por alguns dias me senti voltando àquela escola com minha lancheira e procurando eles no pátio. Ainda rimos exatamente igual e o Ivan ainda corre com a mão aberta pra ajudar na aerodinâmica. O Lucas ainda gosta muito de salsicha e presunto. Meus dois morangos, ou “maracujás”, que é a palavra que eles sempre usam para zombar dos meus poemas. 
  Isso! De hoje em diante contarei essa história sempre usando maracujás ao invés de morangos! Em memória do que vivemos e ainda somos! Assim, sempre que contar esta história para ninar meus filhos, logo em seguida explicarei que não eram maracujás, mas que troquei porque ficava mais bonito assim...
  -pausa para um sorriso e uma piscada longa-

  Isso... “3 lobos, um menino e um maracujá”...

Na minha época (mostre aos seus netos)


 O ano era 2056. Ivox era um homem muito apaixonado que um dia tomou coragem e enviou, por tele transporte, uma linda apresentação em holograma para Ashyrl,  sua musa inspiradora. Ao receber, foi paixão a primeira vista. A mulher não aguentou e o amor se desenrolou em infinitas conversas onde, com ajuda das projeções de retina em alta definição, o arrepio era real! Baixaram então um aplicativo de Iphone que captava e unia seus espermatozoides e óvulos, tiveram uma filha e viveram felizes para sempre!
  Em 2068 o mundo estava mais evoluído. O Homem percebeu que escrevendo à mão, suas mensagens de amor ficariam mais “pessoais”. Inventaram então o aparelho de Scaner! Jovens por todo o mundo trocavam e-mails com fotos de folhas desenhadas e escritas de próprio cunho!
 Quando a década de 2080 virou, o homem era outro. Descobriu que Encostar era algo muito mais prazeroso e foi aí que inventaram o jato supersônico. Agora os amantes podiam, em questão de minutos, se encontrarem, saírem para jantar fora e regressarem à suas respectivas cidades antes que o ponteiro marcasse meia noite!
  Em 2093 a tecnologia não parava de evoluir e eles perceberam que se a viagem demorasse um pouco mais, as pessoas poderiam ficar mais tempo juntas! O lançamento do ano foi o Avião Bimotor, com seus assustadores 200Km/h aumentava a viagem em quase 4 horas! Nessa altura os casais em toda a Terra já estavam trocando, pasmem, seus bilhetes sem escanear. Alguns mais adiantados ousavam até borrifar um pouco de perfume no papel antes de mandar. Criaram um serviço chamado correio. Foi o frisson. A moda era mandar coisas de verdade, concretas, reais. Imagina?!
  Parecia que não ia parar. Quando o milênio virou, a grande sacada foi colocar os dois motores do avião em um barco. De 4h, as viagens passaram para 8h e nesta época as pessoas começaram, com certo desajeito ainda, a darem as mãos.
  Mas foi só em 3021 que Heldel teve A Sacada, utilizar a força do vento para locomoção. Fez então o que chamou de Veleiro e dessa maneira tudo ficou mais lento. Até as refeições em pílulas foram trocadas por alimentos não processados (muito aos poucos, claro, para o organismo não estranhar). Algumas refeições levavam horas, parecia que as pessoas não queriam sair das mesas pois estavam possuídas por um tipo de prazer estranho, Encostar.
  Em 3031 ou 32 perceberam que se o homem utilizasse mais fisicamente seu corpo ele viveria mais. Então um gênio chamado Pierre Michaux uniu as duas coisas, saúde e locomoção no que batizou como Bicicleta. A moda pegou. Não só casais, mas agora famílias inteiras pedalavam por toda a Terra e paravam apenas para almoçarem. Algumas até pegavam alimentos de verdade e, crus, aqueciam usando fogo e temperavam com folhas secas –manjericão, coentro e orégano-. Pode parecer ousado mas outro dia vi aqui perto de casa um casal encostando uma boca na outra. Sim, sem nenhuma proteção ou aplicativo de Iphone intermediando a atividade. Assim, na lata!

  Hoje estou num veleiro com alguns amigos e vendo tudo assim como é hoje, duvido que meus netos acreditarão que lá atrás, na minha época, tudo o que tínhamos eram mensagens virtuais...