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Como destruir uma grande ideia. Da igreja ao Jiu-Jitsu.


  Das virtudes do homem, sem dúvida a maior é pensar. Enquanto você lê este texto, certeza que em algum lugar do mundo alguma grande ideia acabou de nascer. Quem sabe até a cura da AIDS. O curioso é que esta mesma virtude é também a grande destruidora das próprias grandes ideias! Mais interessante ainda é que, principalmente o processo de declínio, é causado sempre pelas mesmas pessoas. Explico.
  Sempre que um pensamento genial aparece, ele frequentemente conquista multidões em alta velocidade. É algo novo e nós sempre gostamos do que é novo. Sobretudo se esta nova onda for algo que nega a moda atual. Então vão se acumulando os novos adeptos, seguidores, líderes, as novas referências e até os novos ídolos. Tudo vai se atualizando no sentido de transformar o que era novo, em “mainstream”, popular, comum.
  Mas o veneno mortal das grandes ideias está num lugar muito curioso. A causa fatal da decrepitude está sempre ligada às pessoas que mais gostaram de tudo aquilo. Isso mesmo. Os maiores amantes da “novidade” são frequentemente os assassinos da própria inovação. No mínimo, é muito comum que sejam esses os primeiros a sujar a bela história e isso se dá porque eles cometem um erro irreversível. Eles se tornaram radicais. Vou justificar essa opinião com infinitos exemplos:
  • ·      A Maçonaria foi uma grande ideia, mas teve em seus grupos radicais (como a P2, por exemplo) sua imagem ainda mais estragada. Principalmente depois do assassinato do banqueiro italiano Roberto Calvi em 1982. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      A Igreja Evangélica foi uma grande ideia, mas toda a luta de Lutero foi ofuscada por igrejas focadas em dinheiro e pastores despreparados. Aqui o radicalismo também ligou a imagens desses  seguidores a homofobia, intolerância cultural e até xenofobia. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      A Igreja Católica foi uma grande ideia, mas hoje frequentemente quando se fala a palavra “padre”, escapa algum pensamento que envolve “pedofilia”. Sem contar os grupos paramilitares Irlandeses IRA e ETA que explodiram creches paquistanesas. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      A Igreja Islâmica foi uma grande ideia, mas toda a admiração ao comerciante Maomé sucumbiu diante de alucinados aviões que acertam prédios. Metralhadores contra cartunistas. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      A pluralidade Hindú seria um tesouro, mas foi escondida pela perseguição aos Cristãos em Orissa, ou aos muçulmanos em Mumbai. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      O FEMEN é um grupo que defende uma causa legítima, indispensável e alarmante sobre a luta da mulher. Mas perde a razão ao destruir estátuas milenares nas igrejas católicas de Kiev, na Ucrânia. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      O MST é uma grande ideia. Mais do que isso, necessária. Mas vira um desfavor quando invade centros de pesquisa no Paraná e destrói experimentos de mais de uma década. Se acharam na autoridade para isso.
  • ·      As torcidas organizadas são uma grande ideia mas... me recuso a explicar este tópico.
  • ·      Até o Jiu-Jitsu é uma grande ideia, mas toda a genialidade de Helio e Carlos Greice são esquecidos quando topamos com valentes otários estrelando em brigas desnecessárias. Se acham na autoridade para isso.


  Imagino que parar aqui já seja suficiente. Mesmo que os exemplos continuem à encher um livro. Para conclui, termino com um conselho muito simples...


  Sempre que encontrar alguém que gosta muito de alguma coisa, mas muito mesmo, tome cuidado. Ela tem grande chance de se achar na autoridade muitas coisas.

A História de Theodoro Vassarionovich, em poema.







Desceu do trem. Trazia consigo três tragédias.


Atravessou a Praça Treze. 


Seu traje era fino para o frio que era. Camiseta e cachecol de tricô. 


Não havia mais nada. A vida não lhe dera troco. 


Trapo. Tropo.


Torpe. Atroz. 






Da bituca no chão, um trago.


Do que escapou das mãos, um triz.






O trovão traduzia bem o peito traído.


Tratava-se de algo trágico. 


Um trauma trivial aos que passavam. 


Travado pela bebida, sentou num tronco. Tremeu um trítono de trova antiga.


Mas só um trecho, não lembrou tudo.






Avistou uma porta destrancada. 


Na frente, uma luz vermelha e trêmula. 


Traçou o trópico daqui até ali e cruzou o tráfego tropeçando nos transeuntes. 


“O Cortiço”, trazia a porta. “Mulheres trabalhando”.


Da porta sem triagem, aos trancos, se humilhou até outro andar. Já um triunfo.


Talvez transar amenizasse a tristeza. 






Nunca tramitara por essas trocas. Parecia um trapalhão tentando transgredir seus próprios tratados.






Como no peito já era vazio, pode apenas tratar de esgotar os bolsos.


Trezentos cruzados. Fretou um romance de aluguel.


Qualquer tranqueira. Semblante tétrico. 


Trepou.


Frenético, numa frequência frígida.


Seu corpo em Luto, pela alma que morrera antes. 






Até que ao fundo tremeluziu um tom.


Alguma música...?


(...)


Aquela música! 


Trompetes! 


-Transcendeu-


Trinados de Jazz. Talvez um trio?!


Como uma truta pescada das trevas, aquele tilintar metálico e doce trouxe vida ao homem sem trajes!


Vida! 


Santa trindade!


Do acaso, uma trégua ao coração atrofiado!


Um trilhão de ideias renderam uma Esperança!


Toque! Toque! Toque! -suplicava ao rádio-


E assim, diante de tamanha tribulação, sobrepôs-se a Música, tremenda. 


Num fôlego.




Nota: A imagem foi um presente do artista Gabriel Gudin, especialmente para este texto.

E fez toda a diferença.

E da próxima vez, vá encher o saco da sua vovózinha!


  Eu entendo que todas as conclusões que temos não são eternas e imutáveis, mas sim momentâneas e mais frágeis do que imaginamos. Acredito que toda a evolução que se possa ter em qualquer assunto é fruto de parar para pensar (a psicologia usa o termo “experiência elementar” para isso, mas não ouso tentar explicar aqui). Sendo assim, procuro frequentemente gerar desconstruções, re-pensamentos, re-nascimentos... isso pode vir em forma de textos, músicas, poemas, fotografia, posts em redes sociais e qualquer outro canal passível de se tornar uma ferramenta de provocação, fomentação de movimento racional, debate construtivo.
  Obviamente, ninguém é obrigado a valorizar essas coisas. Tem gente que não quer, por infinitas possibilidades de motivos, e TUDO BEM. Aí é só não ler o texto, não ouvir a música, não aceitar os convites, etc... Simples assim. Mas confesso que não entendo quando vejo pessoas se incomodando com aqueles que debatem, questionam e repensam as convenções religiosas, políticas e culturais. Mais do que isso, elas dizem coisas como “é uma perda de tempo, cada um tem a sua opinião e ponto”, ou também, “você quer gerar polêmica gratuita”. Absolutamente tudo o que fazemos é cerceado, limitado ou influenciado por essas correntes de pensamento. Todos temos temos nossas opiniões e isso pode influenciar, e muito, as outras pessoas! Para ser mais claro, olha só:
1.      Diz não ter paciência para debater política. Não sabe nada sobre os cargos e suas funções. Mas, quando a passagem do ônibus aumenta 20 centavos ela “pinta a cara”. Quando ela não pode mais comprar um carro sem a redução do IPI, ela reclama do mundo.
2.     Diz que “cada um tem a sua religião e isso não se discute”, mas em seu cotidiano ela é oprimida por conceitos vindos de pensamentos religiosos retrógrados e terroristas que enclausuram pelo medo, se aproveitando da ignorância de pais de família. 
3.     Diz que “cada um tem a sua cultura e ninguém tem é obrigado a mudar”, mas quando entra num metrô ao lado de um indiano cheirando incenso, fica brava.
  A questão é que, para viver em comunidade, precisa-se sim discutir e encontrar melhores saídas para lidar com as diferenças de pensamentos. É sim necessário parar para conferir se costumes antigos ainda fazem sentido para o contexto atual! Achar que cada um pode viver do seu jeito é loucura, é o início do fim! AS CONVENÇÕES DE PENSAMENTOS DESATUALIZADAS, MATAM PESSOAS. Esse pensamento de “preguiça cerebral” para lidar com alguns assuntos desgastantes, faz com que outros jamais tenham parado para pensar no preconceito, então saem e batem num gay com uma lâmpada no rosto. Exatamente porque quem poderia ajudar a elucidar a riqueza das diferenças culturais, não o faz, mendigos são queimados em Brasília.
  Sei que existem lugares e momentos melhores para algumas conversas, mas se “todo mundo” está na internet, porque aqui não pode ser um lugar ideal?! Tanta gente compartilha na rede coisas esdruxulas! Eu não sou, nem de longe, a melhor pessoa para mediar ou gerar algumas discussões, mas realmente acho que muita gente já parou para pensar em alguns pontos, depois de alguma provocação minha. E não estou falando que concordou comigo, nem espero isso. Estou falando de parar para pensar.

  Acho saudável e, mais do que isso, indispensável que as pessoas conversem sobre suas “certezas”. As piores atrocidades do mundo foram feitas por pessoas que tinhas total certeza. Então, da próxima vez que vier me falar que eu gero polêmicas gratuitas, veja primeiro se você não é alguém oprimido pelos costumes do seu país, pela turminha da sua escola, ou até, pela religião da sua família.

A burrice dos jovens mais inteligentes da história


  Nós jovens estamos cada vez mais atualizados, cada vez mais proativos e traçando planos nunca antes tão ambiciosos para pessoas tão novas. Estamos, sem sombra de dúvidas, evoluindo e gerando pequenos prodígios cada vez mais precoces. Nunca antes houveram moços tão influentes, nunca a vanguarda tecnológica, científica e empresarial foi constituída por membros de tão tenra idade. Mas no meio de toda essa evolução um ponto está realmente me incomodando: o tratamento com os que vieram antes. Não me julgo nenhum exemplo de conduta pra nada, muito pelo contrário. Mas tenho ficado sem reação com alguns eventos e isso tem sido recorrente.
  Com o passar dos anos o corpo deixa de evoluir e passa a, literalmente, definhar. Principalmente para aqueles que não cuidaram de sua manutenção –exercícios e alimentação- este processo é mais acelerado. As respostas vão ficando mais lentas, as contas vão saindo com pequenos erros, as passadas mais lentas tornam as distancias mais alongadas, as novas tecnologias viram desafios e até mesmo a língua –que é viva e muda- pode passar a ser um problema na comunicação dos mais idosos.
  É nessa hora que as vezes perdemos a mão com as piadas. É exatamente aqui que, frequentemente, os limites são ultrapassados. Reclamamos que não acompanham nosso passo na caminhada, expomos publicamente os erros “bobos”, exibimos as limitações deles com risada na cara e muitas vezes não imaginamos a humilhação que isso gera. Até por não saber como reagir, por não ter como negar algumas limitações escrachadas, os velhos sorriem e frequentemente aceitam a ridicularizacão. Por vezes, são até os primeiros a salientarem suas dificuldades, pois isso os poupa de outros o-fazerem. Percebo que ao longo do dia até se omitem de opiniões e tomadas de decisões básicas, apenas para “não dar trabalho”. Ler um cardápio, conferir a conta, dirigir um carro em meio a uma tempestade, apertar o passo para se abrigar da chuva que começou no meio do passeio, entender porque a televisão “parou”...
  Essa de aparelhos eletrônicos é clássica: Primeiro pedem ajuda dizendo que “a televisão não está funcionando”. O filho “arruma” mas demonstra falta de paciência diante daquela “burrice”. Com a recorrência disso, eles passam a assistir o canal que está quando a televisão é ligada, sem dizer que o controle remoto não responde. Até o dia em que eles não assistem mais a televisão pois “essas televisões são difíceis de mexer”.
  O normal do jovem é excluir o velho. Principalmente numa fase específica que é quando o filho começa a ter responsabilidades em casa e seus palpites começam a ter relevância nas decisões. Quando ele começa a sentir-se parte da liderança do lar é a fase perfeita para perder o controle e fazer os pais e avós sentirem-se menos capacitados, lentos e atrapalhados. Acontece que as limitações são reais! Todos, novos e velhos, estão cientes das novas dificuldades e isso as vezes é suficiente para que eles se submetam aos papéis de “filhos dos filhos”. Recebem ordens e levam broncas. Vão gradativamente ficando menores por dentro e se vendo cada vez menos capazes.

  Torço para que nós percebamos que a falta de misericórdia, mata. Cruzo os dedos para que nos policiemos lembrando do carinho que recebemos deles. Caso isso não aconteça e o velho continue sendo ridicularizado pelo novo, que quando ele morrer você não esqueça te teve parte nisso, pois a morte começa por dentro.

Sobre o meu velório

 
Desculpe a ousadia do tema, mas com as aventuras diárias do mundo atual, gostaria que ficasse sabido por todos e com firma reconhecida.
  Sobre a minha morte começo dizendo que prefiro elogios, críticas e sugestões ainda em vida. Acho mais honesto e bonito assim, além de ser mais construtivo, se é que você me entende. O corpo, quero que seja rapidamente descartado (peço apenas para checarem bem se eu não estou lá mesmo antes de concluírem os protocolos fúnebres. Já assisti uns documentários no Discovery Chanel sobre algumas doenças que me botaram certo medo). Não quero gente chorando em volta daquele que não sou mais eu e olhando no relógio para conferir quanto daquilo ainda falta. Também não me venham com aquelas coroas de flores que, eu sei (!), já participaram de outros velórios e foram apenas recicladas com outros nomes. Também não tenham a preocupação –elegante, mas ultrapassada- de vestirem preto. De monocromático já basta o momento.
  Ao invés de tudo isso, mandem aquilo-que-foi-eu para a cremação sem cerimônias (volto a frisar que me chacoalharem bem antes e até alguns tapas na cara, tenham certeza!). Não façam muito alarde, mas postem no meu blog apenas a palavra “Fim”, para que aqueles que se importam sejam avisados. Escolham uma foto bonita pois será o último post da minha cidade (minhas senha e login estão na segunda gaveta da esquerda, junto a umas fotos do colégio). Recebam todos em nossa casa, sirvam bem eles. Escolham algum bom baixista para tocar de fundo, talvez Ron Carter ou Charles Mingus e não deixem a música calar. Sirvam churros, pastel de queijo e também o bolo da tia Lu. Usem o tempo para conversarem e rirem. Caso lembrem de alguém a quem tenham magoado, liguem e peçam perdão, digam que estão numa festa e lembraram dele. A Tuca fará o bolo de cenoura dela e a Re fará a torta de limão, muitas delas! Quero que todos experimentem como fui bem tratado. A Júlia fará pão de queijo com catupiry.
  Caramba, como eu queria estar aí..
  Quando entardecer juntem os menores e vão no lago dar pão para os patos. Minha vó sempre guarda pães velhos no armário da lavanderia. Abracem muito a minha família e, pelo menos por um tempo, frequentem a minha casa até que eles fiquem melhor. Prometo que se lá de cima eu puder fazer algo para não chover neste dia, eu o farei. Mas se não der, tomem chuva. Se molhem à toa e achem graça nisso. Minhas roupas serão distribuídas para que todos voltem secos para casa.
  Ao final do dia, de mãos dadas orem. Agradeçam por tudo que somos e pelas pessoas que temos. Tenham a certeza de que amei a vida até o último pó da rabióla e que fui um homem inundado de sentimento.
Conheçam aqueles que vocês não conheciam até este dia, apresentem os solteiros e riam disso.. Após tudo, será servido o pão e o vinho e todos voltarão em paz e em segurança.

  Tetelestai, literalmente.