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+ Poema – Problema





Seja qual for a sua posição política, sua religião ou etnia, todos temos o direito de lutar por grandes mudanças nos vários âmbitos da sociedade. Mas as Grandes Revoluções pelas quais lutamos no Sistema de Saúde, na Legislação, nos Modelos de Ensino e Política, por se tratarem de Processos, levam Tempo. E neste tempo que leva, outras transformações devem acontecer paralelamente. São mudanças internas, pessoais, nada fáceis e não menos indispensáveis.





· Acidentes de trânsito causados por embriaguês ao volante, velocidades irresponsáveis e direção displicente.


· Mortes por motivos cada vez menores, decorrentes de temperamentos desequilibrados e exibicionismos inconsequentes.


· Individualismo e falta de cuidado para com o outro nos mais corriqueiros momentos da rotina.


São exemplos de Problemas que podem ser evitados AGORA.






Esta é uma luta para salvar vidas por meio de “pequenas” mudanças individuais de comportamento. E “salvar vidas” não é apenas “desviar da morte”, mas melhora-la e torna-la mais possível à despeito das muitas dificuldades que ainda persistirão.






· É respeitar as diferentes condições e limitações do outro. (E não entender isso como um “clichê barato”, mas como uma Escolha que realmente pode descartar um desentendimento que poderia crescer à consequências fatais desnecessárias).


· É optar por gerar Vida gratuitamente. Entender que fazemos parte de um todo que pode ser melhorado abrindo uma porta ou carregando uma sacola.


· É não piorar o estresse, inerente à vida moderna, com lixo fora do lixo. Entender que se a correria é “inevitável”, ela pelo menos não precisa acontecer em meio a sujeira.








+ Poema é a Vida Eterna. Não por “não morrer nunca”, mas por tornar a coexistência agradável de tal maneira que, se ela fosse infinita, isso não seria um problema.


A diferença entre Mojito clássico e Mojito Fidel

  Tenho um grande amigo chamado Davi. Pai do genial Mathias e marido da doce Pri, o Davi é guitarrista daqueles que investe mais em timbres do que em virtuosismos. Já ultrapassou a puberdade musical é de apaixonante personalidade sonora. As paredes do seu apartamento são repletas de Arte que ele traz de suas viagens. Ele compra quadros de artistas vivos e os chama pelos nomes. Tudo tem um porquê na casa dele. Também toma bebidas diferentes e curiosas e é aí que eu queria chegar.
  Tenho um grande amigo chamado Milton. Meu vizinho desde muito antes da minha puberdade, o Milton hoje é advogado de mão cheia. Tem personalidade e entonação de jurista, sabe as coisas todas decoradas e tem até uma coluna sobre política no jornal. Acontece que de um tempo pra cá ele vem se aperfeiçoando na arte de fazer drinks. Montou um bar na sala dele e tem tudo o que você possa imaginar, até cardápio e é aí que eu queria chegar.
  Ao contrário do que está parecendo, eu não sou muito de beber álcool. Gosto de estudar enologia (vinhos), mas tenho até minha resistência limitada à pouco mais de uma única taça. O ponto que quero expor é o que me apaixona nesses caras: os dois escolheram para si hobbies que só se completam quando proporcionam prazeres aos outros! Podiam andar de bicicleta, voar de asa-delta, esquiar, pintar quadros, colecionar qualquer coisa, mas optaram por investirem tempo e recursos em algo que não se faz completo sozinho. Optaram pelo Tempo com os outros, tornaram-se convidativos, fizeram-se ouvidos e risadas. Escolheram caminhos que retardam as horas e valorizam os diálogos. Fizeram como Lenine “enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora e vou na valsa” e é por isso que sou apaixonado por estes dois professores.
  Mais um ano está começando e nele eu quero ser mais como o Davi, que traz uma pequena garrafa rara do deserto-de-não-sei-onde e não pensa duas vezes antes de dividi-la comigo. Quero ser como o Milton que tem e faz muitas alquimias que não o agradam, mas que fazem o gosto de outros. Quero, assim como o pai do Mathias, saber e ter respeito pelas histórias de cada coisa e oferecer o que tenho de melhor aos outros, simplesmente porque é só isso que completa o momento.
  Sou um amante de histórias e estórias. Não gosto de beber sem um bom motivo e ao me ensinarem a diferença entre Mojito Clássico e Mojito Fidel citando as guerras, os nomes e os anos, tudo ganha um propósito relevante. Obrigado por me ensinarem a repartir sem medida tudo o que eu tiver de melhor e por valorizarem o tempo comigo. Que sejam seus todo o meu tempo, para que também sejam meus todos os seus sonhos.

Tetelestai.

Antropologia e Absorventes Femininos

   
Assisti a um comercial de absorvente feminino que mexeu comigo. Homens, tratava-se de um pedaço bem pequeno de algo branco que enxugou um copo de “água azul”. Um copo! Achei genial, fiquei impressionado! Porque não fazem desses maiores, para secar louça, lavar carro, drenar quadras de esportes!? Pensei em mil utilidades! Fui perguntar pra minha mãe e minha avó como era no tempo delas, pois aquilo parecia uma tecnologia nova. Minha mãe disse apenas que “há alguns anos eram grandes” e minha avó disse que elas usavam panos. É, panos. Ok.
  Pesquisando na internet vi que desde a Idade Média as tais toalhinhas existem. O que me chamou a atenção foi a semelhança dos costumes da minha avó com Joana D’Arc, ao mesmo tempo que da minha mãe para a minha irmã essa diferença já é brutal! É incrível como dos anos 30’ para meados do século XV quase nada mudou, ao passo que de hoje para o ano que vem tudo pode ser diferente.
  Perguntando outras coisas, fui vendo a prova de que a curva de desenvolvimento humano deu uma guinada absurda nos últimos anos. Meu bisavô, em Piracicaba, viajava a pé e quando anoitecia ele limpava um canto no mato e dormia ali, no caminho. Como você acha que faziam os Bandeirantes do Brasil Colonial em suas investidas na terra nova?! O pai da minha avó caçava coelhos para comer e fazia armadilhas. Doenças eram tratadas de maneiras rupestres e até a religião tinha e permitia coisas medievais! Incrível e fascinante. Parece que de 20 anos para cá a Terra mudou mais que em 5, 6 séculos! Conversando com meu avô ainda soube de coisas, literalmente dos homens das cavernas, que eles tinham de fazer por não terem luz elétrica (em plena cidade de São Paulo). Instituições também entram nesta conta. Relacionamentos interpessoais, comércio e política também mudaram muito pouco até o início do século XX. Pode se dizer que existia escambo no porto de Santos até algumas décadas atrás!
  Por outro lado, tomei nota de coisas que permanecem as mesmas. Imagine o Coliseu, criado no século III, onde 50 mil pessoas se deliciavam vendo dois homens se esbofetearem sujos de sangue. Qual a diferença para um casino atual em Las Vegas que cedia uma grande luta de UFC? Gostar disso é tão antigo e tribal quanto rezar para chover. Olhar as estrelas na busca de direção ou esperança é tão ancestral quanto comer frango com as mãos. Assassinar alguém é tão neolítico quanto rogar a Deus com cânticos. Não é tão difícil achar hoje homens que tratam sua mulher com a mesma delicadeza de um homo erectus a sua fêmea.
  Ousado afirmar isso, mas parece que o que evoluiu foram as tecnologias, os bens de consumo, as prestações de serviço, os absorventes... A natureza do homem permanece intacta. A impressão é que nossa personalidade e ímpetos, nossas vontades e as coisas que nos enchem os olhos seguem as mesmas. Ainda não sei se isso é bom ou ruim. O homem que hoje usa Bluetooth é o mesmo que mata, muitas vezes por ainda não saber resolver dialogando. O presidente do conselho da Ambev, Paulo Lehemann, tenho certeza que ao dormir sonha os mesmos sonhos ambiciosos que outrora culminaram no Império Otomano..
 Diante da maravilha e armadilha de nós mesmos, me agarro ao mestre Neruda quando diz, "Se nada nos salva da morte, que ao menos o Amor nos salve da vida".



O que é Espiritualidade?

  Em 1991 nasceu a Lei de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como Lei Rouanet. Por meio dela, qualquer pessoa com um projeto cultural (aulas de música na comunidade, amostra de arte, cinema ao ar livre, etc) pode conseguir benefícios financeiros do governo. Mas para isso, existe um criterioso processo de legitimação do plano.  Nele, um quesito se faz principal: Provar que a execução desta ideia gerará benefícios para além de seu autor. Demonstrar como tal iniciativa pode vir a ser uma vantagem para aquela escola, aquele bairro, aquele grupo, aquela classe... Simples assim.
  Entendo por Espiritualidade (viva), algo bem parecido com um projeto de Lei já aprovado. Uma escolha consciente diante de uma condição ou experiência pessoal e intransferível. A iniciativa de organizar interiormente valores que, quando movidos pela fé (que é a confiança e a vontade de que o projeto dê certo), desencadeia um bem coletivo. Acredito que, assim como um projeto cultural, uma Espiritualidade só tem relevância, beleza e razão de ser, quando transforma uma pessoa de maneira a torna-la um benefício para seu redor. Uma fonte vida que transborda à inundar a rua toda.
  De que vale um monge espiritualmente equilibrado e zen, se ele se confinar no alto de uma montanha? De que vale uma candeia acesa se colocada sob a escada de uma casa vazia? De que vale o melhor dos violinistas, se este optar por apenas tocar quando estiver à léguas de distância da pessoa mais próxima? Acaso não vale mais uma Tubaína com os amigos do que o melhor dos vinhos francês tomado sozinho por uma viúva? De que vale um tabuleiro de xadrez para o que está só? Qual a relevância do pastor, padre, monge ou professor mais devoto e intelectual da terra, se este se recusar a abrir a boca ao que precisa ouvir? Ele não vale nada. E mais do que isso, torna-se algo desprezível.
  Minha preferência pelo cristianismo me fez entender que, se há de existir uma salvação, essa só pode ser coletiva. Parafrasearia Sartre dizendo que “O céu são os outros” ou melhor  “O céu só é, se com os outros”. O céu sozinho seria um inferno.

  Só se pode esperar relevância de uma espiritualidade que alcance o outro. Só se pode aprovar um projeto cultural que estenda suas estratégias de ganho para além do que articula. E assim como qualquer iniciativa da lei Rouanet, cada um também pode idealizar sua própria espiritualidade com as cores, perfumes e sabores que julgar bom e vantajoso, mas a expressividade, a fartura, a importância, a proeminência, o valor… a beleza... só existe nos projetos aprovados e nas espiritualidades vivas.
Tetelestai. 

Fora de foco




Quando fiz 7 anos aprendi a amarrar meu cadarço sozinho. Com 8 zerei Mario Bros pegando todas as moedas. Com 14 dei meu primeiro varial-flip de skate. Aos 15 atravessei a piscina do condomínio inteira sem respirar. Meu primeiro aluno veio aos 16. Nos 17, tomei dois açaís de 500ml com meu amigo. Aos 18 amarrei minha gravata.
O que tudo isso tem em comum? Todas são conquistas que em algum âmbito me exigiram muito tempo e esforço. Mas a cima de tudo, me frustraram por não me renderem o reconhecimento que achei que merecia.
Na estrada que pego diariamente, finalmente cheguei a conclusão de que o nosso problema –pelo menos o meu- não eram as ações em si, mas seus objetivos e propósitos.
Não chego ao radicalismo de Nietzsche quando diz que todo amor é amor próprio, afirmando que sempre fazemos o que fazemos pois somos usuários químicos do “reconhecimento”. Damos uma flor à alguém pois queremos ver mais um ser gostando de nós; grato a nós; nos admirando. Conquistado.
Mas o que levei mais de duas décadas para entender é que devemos focar nossas forças e esperanças não na performance, mas nos relacionamentos. Decepcionado com meu amigo por não elogiar, eu esqueci tudo o que vivemos! Pare pra pensar. Na prática é exatamente assim! Se um homem não elogia sua roupa nova, tudo o que já foi feito é momentaneamente apagado!
“Grandes feitos” são folhas. Relacionamentos são pedra. Conquistas são fases. Pessoas são cais. Medalhas são individuo. Festas são coletivas. Elogios são direcionais. Abraços são recíprocos. O título é pessoal. O beijo não.
Não espere reconhecimento. Espere na varanda por alguém que chega. Estou hoje, mais para Fernand People que diz que ao que nada espera tudo lhe é grato. É mais bonito assim.
Por favor, não diga: “Isso é pura utopia”. Seria o uso da forma mais baixa de covardia para se esquivar desse desafio.
Em contra partida, elogie mais. Encoste mais, leia os outros sob os conceitos dele. Doe tempo, escolha pessoas ao invés de presentes e faça questão delas em dias importantes.
Isso não é contradição, é gratuidade.