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O poema da toalha roubada



Já há algum tempo que eu inventei de tomar banho sempre roubando a toalha da minha irmã. Não importa se a minha está seca e ao lado, só uso a dela. Com a autoridade de alguém de 12 anos ela se emburra e, contrariada, tem de se secar com a minha. Hoje escreverei este texto pra ela, explicando tudo.
  Tuca, sabe, eu venho percebendo que estou ficando mais velho e que logo trocarei de fase, como as cigarras ou as lagartas que crescem e se mudam para outras árvores. Passarei para alguma outra etapa da vida que ainda não sei explicar. O que sei é que nos teatros todos os cenários mudam e as vezes até os personagens. Para permanecer em cena precisamos criar algo de Eterno em nós. Por isso pensei em alguma coisa que me colocasse pra sempre na sua parede, como um quadro bonito que sempre te gera um sorriso fácil quando passa por ele. Pensei nas toalhas...
  Um dia eu posso não estar mais por aqui, ou você. Não estou falando que vou morrer hahah, mas que a vida é viva e os caminhos são de infinitas possibilidades lindas! Então um dia, quando for tomar seu banho (e espero que você tome banho todos os dias hem!) você vai olhar para sua toalha, rir e pensar “caramba.. filho, deixa eu te contar uma coisa que me deixava doida na sua idade. Meu irmão sempre me roubava a toalha e eu ficava louca! Hahah”. Talvez ele não entenda nada, mas neste dia você irá entender que eu me tornei eterno em você.
  Não cobre dele entender, mas pense em algo que também te faça imortal na vida dele.. anos depois ele entenderá, ainda que apenas no dia em que ele for tomar banho e a toalha que estiver lá seja a dele mesmo...

João e Maria (vídeo)



As vezes a música faz graça pra sair e quase te tira do sério...
   só porque fica mais gostoso de lembrar assim.


Sobre o feijão da Dona Iraci


Hoje eu tenho carteira de motorista e namorada.
Hoje eu tenho assinatura e um cartão de banco com o meu nome nele.
Quando tem eleição eu tenho que falar de quem eu gosto mais,
e até correspondências de cobrança já chegam pra mim.
Tenho barba
Tenho aluno
Tenho diploma...


Mas o feijão da Dona Iraci eu nunca esqueci.

3 lobos, um menino e um Morango

   
Um velho me contou a estória de um menino que fugia de três lobos. Sujo, quase sem ar e sangrando, ele desviava de galhos e pulava pedras. De repente tropeçou numa raiz e escorregou sem controle por um barranco até ser arremessado no vazio de um precipício. Agarrou-se num galho na parede do abismo. Em cima os lobos salivando, embaixo o escuro da garganta sem fim. Cada segundo durava 3 dias. Os dedos lentamente desli s a v  a  m....
  -O que é aquilo?!
  Inesperadamente, um pouco à esquerda, havia ali um galho que ostentava um brilhante morango, bem na ponta. Não sei se era o momento, mas parecia o morango mais suculento jamais experimentado. Era vermelho como uma tulipa no fim do inverno, provocante como uma dançarina de tango. Sem pensar duas vezes, o fugitivo usou todas as forças que lhe restavam e se esticou. Apanhou a fruta e mastigou à escorrer pelo pescoço. Sempre penso que ele fechou os olhos nesta parte.
  A estória acaba aí. Assim, mesmo. Me apaixonei por esta estória e lembrei dela nestes dias.
  Até pelo ramo profissional que escolhi, sou rodeado de medos, sonhos, incertezas e inseguranças. Nunca sei ao certo como será o ano seguinte. Seja com notas ou letras, não tenho escolha a não ser compor um dia de cada vez. Mas vez ou outra Deus me manda uns morangos. Acabo de viver dias inesquecíveis ao lado de dois caras especiais, Lucas Peixoto e Ivan Dalton Lima, amigos desde a primeira série. Fomos, literalmente, até o Fim do Mundo, conhecemos paisagens onde homem nenhum habita. Sentimos o frio da geleira que mata, o vento das pedras que cortam. Dirigimos até depois de onde o olho alcança e nos prostramos diante da opulência da mãe Terra. Mas mais que a aventura, meu morango foi o tempo com eles. Estamos tão diferentes.. Diferentes uns dos outros e diferentes de nós mesmos naqueles recreios em que jogávamos tazos. Um engenheiro matemático, um administrador acelerado e um músico escritor.
  O morango é isso, ele não muda necessariamente o final das histórias, mas te dá fôlego. Ele não elimina os lobos e os desafios da vida, mas nos embala no colo como alguém que te ama de um jeito maternal. O morango não é uma mágica, mas um Sopro. Um Sopro de vida que entra nos pulmões e grita “vamos pra cima! Tenta de novo!”. Os morangos são como pequenos oásis no deserto onde os forasteiros encontram abrigo e água fresca. E os oásis não diminuem o tamanho nem o calor dos desertos, mas multiplicam as esperanças.
  E Deus falou comigo por meio deles. Dividimos planos, vontades e medos. Sonhamos nossos futuros e sangramos nossas limitações, mas dividindo parece mais fácil. Por alguns dias me senti voltando àquela escola com minha lancheira e procurando eles no pátio. Ainda rimos exatamente igual e o Ivan ainda corre com a mão aberta pra ajudar na aerodinâmica. O Lucas ainda gosta muito de salsicha e presunto. Meus dois morangos, ou “maracujás”, que é a palavra que eles sempre usam para zombar dos meus poemas. 
  Isso! De hoje em diante contarei essa história sempre usando maracujás ao invés de morangos! Em memória do que vivemos e ainda somos! Assim, sempre que contar esta história para ninar meus filhos, logo em seguida explicarei que não eram maracujás, mas que troquei porque ficava mais bonito assim...
  -pausa para um sorriso e uma piscada longa-

  Isso... “3 lobos, um menino e um maracujá”...

Antropologia e Absorventes Femininos

   
Assisti a um comercial de absorvente feminino que mexeu comigo. Homens, tratava-se de um pedaço bem pequeno de algo branco que enxugou um copo de “água azul”. Um copo! Achei genial, fiquei impressionado! Porque não fazem desses maiores, para secar louça, lavar carro, drenar quadras de esportes!? Pensei em mil utilidades! Fui perguntar pra minha mãe e minha avó como era no tempo delas, pois aquilo parecia uma tecnologia nova. Minha mãe disse apenas que “há alguns anos eram grandes” e minha avó disse que elas usavam panos. É, panos. Ok.
  Pesquisando na internet vi que desde a Idade Média as tais toalhinhas existem. O que me chamou a atenção foi a semelhança dos costumes da minha avó com Joana D’Arc, ao mesmo tempo que da minha mãe para a minha irmã essa diferença já é brutal! É incrível como dos anos 30’ para meados do século XV quase nada mudou, ao passo que de hoje para o ano que vem tudo pode ser diferente.
  Perguntando outras coisas, fui vendo a prova de que a curva de desenvolvimento humano deu uma guinada absurda nos últimos anos. Meu bisavô, em Piracicaba, viajava a pé e quando anoitecia ele limpava um canto no mato e dormia ali, no caminho. Como você acha que faziam os Bandeirantes do Brasil Colonial em suas investidas na terra nova?! O pai da minha avó caçava coelhos para comer e fazia armadilhas. Doenças eram tratadas de maneiras rupestres e até a religião tinha e permitia coisas medievais! Incrível e fascinante. Parece que de 20 anos para cá a Terra mudou mais que em 5, 6 séculos! Conversando com meu avô ainda soube de coisas, literalmente dos homens das cavernas, que eles tinham de fazer por não terem luz elétrica (em plena cidade de São Paulo). Instituições também entram nesta conta. Relacionamentos interpessoais, comércio e política também mudaram muito pouco até o início do século XX. Pode se dizer que existia escambo no porto de Santos até algumas décadas atrás!
  Por outro lado, tomei nota de coisas que permanecem as mesmas. Imagine o Coliseu, criado no século III, onde 50 mil pessoas se deliciavam vendo dois homens se esbofetearem sujos de sangue. Qual a diferença para um casino atual em Las Vegas que cedia uma grande luta de UFC? Gostar disso é tão antigo e tribal quanto rezar para chover. Olhar as estrelas na busca de direção ou esperança é tão ancestral quanto comer frango com as mãos. Assassinar alguém é tão neolítico quanto rogar a Deus com cânticos. Não é tão difícil achar hoje homens que tratam sua mulher com a mesma delicadeza de um homo erectus a sua fêmea.
  Ousado afirmar isso, mas parece que o que evoluiu foram as tecnologias, os bens de consumo, as prestações de serviço, os absorventes... A natureza do homem permanece intacta. A impressão é que nossa personalidade e ímpetos, nossas vontades e as coisas que nos enchem os olhos seguem as mesmas. Ainda não sei se isso é bom ou ruim. O homem que hoje usa Bluetooth é o mesmo que mata, muitas vezes por ainda não saber resolver dialogando. O presidente do conselho da Ambev, Paulo Lehemann, tenho certeza que ao dormir sonha os mesmos sonhos ambiciosos que outrora culminaram no Império Otomano..
 Diante da maravilha e armadilha de nós mesmos, me agarro ao mestre Neruda quando diz, "Se nada nos salva da morte, que ao menos o Amor nos salve da vida".



Sobre o meu velório

 
Desculpe a ousadia do tema, mas com as aventuras diárias do mundo atual, gostaria que ficasse sabido por todos e com firma reconhecida.
  Sobre a minha morte começo dizendo que prefiro elogios, críticas e sugestões ainda em vida. Acho mais honesto e bonito assim, além de ser mais construtivo, se é que você me entende. O corpo, quero que seja rapidamente descartado (peço apenas para checarem bem se eu não estou lá mesmo antes de concluírem os protocolos fúnebres. Já assisti uns documentários no Discovery Chanel sobre algumas doenças que me botaram certo medo). Não quero gente chorando em volta daquele que não sou mais eu e olhando no relógio para conferir quanto daquilo ainda falta. Também não me venham com aquelas coroas de flores que, eu sei (!), já participaram de outros velórios e foram apenas recicladas com outros nomes. Também não tenham a preocupação –elegante, mas ultrapassada- de vestirem preto. De monocromático já basta o momento.
  Ao invés de tudo isso, mandem aquilo-que-foi-eu para a cremação sem cerimônias (volto a frisar que me chacoalharem bem antes e até alguns tapas na cara, tenham certeza!). Não façam muito alarde, mas postem no meu blog apenas a palavra “Fim”, para que aqueles que se importam sejam avisados. Escolham uma foto bonita pois será o último post da minha cidade (minhas senha e login estão na segunda gaveta da esquerda, junto a umas fotos do colégio). Recebam todos em nossa casa, sirvam bem eles. Escolham algum bom baixista para tocar de fundo, talvez Ron Carter ou Charles Mingus e não deixem a música calar. Sirvam churros, pastel de queijo e também o bolo da tia Lu. Usem o tempo para conversarem e rirem. Caso lembrem de alguém a quem tenham magoado, liguem e peçam perdão, digam que estão numa festa e lembraram dele. A Tuca fará o bolo de cenoura dela e a Re fará a torta de limão, muitas delas! Quero que todos experimentem como fui bem tratado. A Júlia fará pão de queijo com catupiry.
  Caramba, como eu queria estar aí..
  Quando entardecer juntem os menores e vão no lago dar pão para os patos. Minha vó sempre guarda pães velhos no armário da lavanderia. Abracem muito a minha família e, pelo menos por um tempo, frequentem a minha casa até que eles fiquem melhor. Prometo que se lá de cima eu puder fazer algo para não chover neste dia, eu o farei. Mas se não der, tomem chuva. Se molhem à toa e achem graça nisso. Minhas roupas serão distribuídas para que todos voltem secos para casa.
  Ao final do dia, de mãos dadas orem. Agradeçam por tudo que somos e pelas pessoas que temos. Tenham a certeza de que amei a vida até o último pó da rabióla e que fui um homem inundado de sentimento.
Conheçam aqueles que vocês não conheciam até este dia, apresentem os solteiros e riam disso.. Após tudo, será servido o pão e o vinho e todos voltarão em paz e em segurança.

  Tetelestai, literalmente. 

A Psicologia do Vinho.


  Na minha casa abrimos vinhos todos os dias. Minha tia gosta dos De Mesa portugueses, meu vô dos Malbecs argentinos, minha vó só Mateus Rosé, minha mãe e o Zó apreciam tudo que não seja chileno e minha namorada, Colheitas Tardias. Eu tenho minhas preferências pelos Dãos portugueses mas, acima delas, guardo minhas anotações. Trata-se de uma caderneta onde tenho registrado todos os vinhos que já bebi, com quem bebi, onde eu estava, o preço e o que achei do gosto. Depois de uns anos, o que era apenas uma documentação, virou um diário com partes muito importantes da minha história.
  Pensando nisso fui fazendo umas relações. Uma coisa que me surpreendeu muito quando aprendi, é que todas as uvas, por sob a casca, são brancas. O que faz um vinho ser tinto, branco ou rosé é o que se faz após o desengace (esmagamento). Mantendo o contado deste mosto (uva amassada) com uma casca vermelha, o vinho torna-se gradativamente tinto. O Rosé surge ou com mistura de cascas brancas e vermelhas, ou com pouco contado apenas de cascas vermelhas. Assim como as uvas sem casca, são os acontecimentos na nossa vida, neutros. Ambos são matéria prima de história e memória, mas em nada ainda se assegura qualquer qualidade ou benefício. A maneira como lidamos hoje com um acontecimento é o que decidirá sua qualidade dali alguns anos.
  No Mundo Novo (Américas, Austrália, África do Sul e Ásia), por não ter tanta tradição em vinicultura, o nome das uvas vem em grandes letras no rótulo. E erroneamente há quem ache que isso certifica alguma qualidade. Nenhum vinho é bom só por ser um Cabernet Sauvignon, por exemplo.. Isso é só o nome da casta dessa uva. É tão louco quanto dizer que um queijo é bom só porque é mozzarella! E dessa mesma maneira muitas vezes agimos em nossas vidas. Colocamos a expectativa em algo apenas aparente e potencial. Temos a expectativa de que “fazendo com a uva certa, dará certo”. Então casamos com a pessoa que “faz sentido”, escolhemos a carreira que “é a boa”, agimos da maneira que “é mais garantida”.. Mas não é isso. Não existe “uva mágica”. No Mundo Velho (França, Portugal, Itália e Alemanha), o que se sobressai no rótulo é o nome da família, eles nem falam qual uva é. Ou seja, aqueles que entendem do assunto há séculos, perceberam que o importante é o “método”, o “manipular”, o “tratamento que se aplica”. Isso! O que transforma nossos acontecimentos rotineiros em boas memórias não é “o que foi ganho”, “quanto custou”, “quantas pessoas vieram”,  “o que foi conquistado”, mas sim “quem estava comigo”, “o que gerou em mim”, “qual será a maneira que eu tratarei estes ocorridos para fazer com que amadureçam em mim de modo a gerarem taninos equilibrados na boca daqui alguns anos?” É disso que eu estou falando... Existem vinhos horríveis feitos de uva Chardonnay, que é a rainha das uvas brancas! E é da casta Vinhão, “subespécie” de uva, que se tira o tradicional Casal Garcia português. A maneira como lidamos com as uvas.. A mentalidade com a qual entendemos nossos acontecimentos –sejam eles Ferraris ou picolés, Chardonnays ou Aragonesas- é o que determina o gosto de nossas memórias no futuro.
  Um erro que eu já cometi muito é pensar que “quanto mais velho, melhor o vinho”. Errado! Assim como as lembranças, existem aquelas para serem consumidas logo e terminarem, e aquelas que devem perdurar para amadurecerem e nos darem mais gosto com o tempo. Para os chamados Vinhos de Guarda durarem 50, 100 anos, são necessários enormes cuidados desde o plantio até o armazenamento! O mesmo com as lembranças. Aquelas que queremos manter por mais tempo, devem ser “tratadas” desde antes. Devem estar devidamente resolvidas para que, com o tempo, não venham nos azedar ao vinagre (vinho + agre, azedo), mas enriquecer um jantar sempre que lá na frente vierem à mesa. E o cuidado continua no “manter”, na atenção com a temperatura, umidade, iluminação.. Lembranças também precisam de manutenção para não virarem uma mentira, como os vinhos mal guardados.
  Tenho um romantismo especial ao falar dos Vinhos Regionais. São vinhos que têm como prioridade manter as características de determinado lugar. Mais do que entrar nos padrões mundiais, preferem representar a geografia, clima e solo de sua origem (terroir). São lindos e fazem todo o sentido! Essas são as lembranças específicas de determinadas fases nossas. Escola, relacionamentos, viagens, trabalhos e, porque não dizer, perdas e desilusões. A verdade é que nem todos os vinhos regionais são bons... Mas ainda existem os “forasteiros” e “descaracterizados”! São vinhos como os famosos Supertoscanos que, modificados artificialmente para se enquadrarem ao mercado, são estranhos aos seus conterrâneos! Fazem sentido para fora, mas internamente são mentirosos, ainda que muitas vezes saborosos... Estes me fazem lembrar os Vinhos Fortificados, aos quais são adicionados aguardente vínica (ou outro destilado) e isso gera um novo vinho, não-regional. Embora tenham bons representantes, como Vinho do Porto ou o Jerez Espanhol, eles me remetem àquelas coisas que eu guardei mas dei uma inventada antes e hoje não sei ao certo como aconteceu. São coisas que inventei para evitar talvez um desconforto, e claro que ficaram deliciosas, mas não me representam.. Essas lembranças exigem parcimônia. São gavetas nossas que devem ser abertas com inteligência e moderação, talvez por isso sejam vinhos tomados em pequenos cálices ao invés de grandes taças.
  Outra informação que nem todos sabem é que nenhum vinho é de uma cepa só. Não existe um vinho só de uvas Merlot, ou que contenha apenas Carmenérè. Simplesmente porque foram horríveis as tentativas! Mesmo os Varietais mais conservadores utilizam por volta de 85% de uma mesma variedade no máximo. E a vida é exatamente assim! Precisamos dos temperos, dos equilíbrios e das nuances. Só os dias tristes nos fazem valorizar os dias de glória! A riqueza das matizes, a elegância e originalidade dos entretons.. a mistura de uvas e de sentimentos é o gera história.
  Conheço quem não goste de abrir um vinho quando está só, mas acho que algumas “revivências” convém tão somente a mim, no banho por exemplo. Acho saudável reaver algumas situações mentalmente. Faz parte daquela manutenção à qual já mencionei. Me ajuda no autoconhecimento do meu Eu atual. Talvez este receio seja por conta das infindáveis percepções que um vinho pode oferecer para além dos 4 gostos, as Notas. No incontável leque das possibilidades de uma degustação, por vezes um mesmo vinho tem diferentes interpretações. Cada pessoa enxerga e guarda um evento de acordo com a sua visão, é o seu ponto de vista. Existem vinhos secos como os Bordeaux, Suaves como um abraço, de taninos vivos como uma pizzada em amigos, Fortificados como uma despedida, Doces como um retorno, ou Regionais como um almoço de domingo.. Vou lembrando de tanta coisa que prefiro parar por aqui, com talvez a frase mais bela já dita à mesa: “Bebam, em memória de mim, Amém”.