Se isso aqui um dia vai virar um livro mesmo, não poderia faltar esta página.
Sou um homem que chora muito. Nunca escondi isso. Na verdade até me orgulho, um pouco. Mas acontece que tive a honra de ter pessoas diferenciadas ao meu redor. Gente que emana valores... valores emocionantes.
Hoje é dia 8 de março de 2012, amanhã receberei a maior prova de amor que alguém já fez para mim e para minha família. O Zó –meu padrasto-, que trabalha na Honda há mais anos do que ela própria tem de Brasil, abriu mão de seu cargo. Reprogramou a rota. Refez seus planos. Reorganizou suas prioridades. Escolheu reconstruir.
Negou salário bom, status, autoridade, prestígio, respeito profissional, história, carreira. Me ensinou que nada supera o valor das pessoas. Que o Tempo é firme e não dá folga. Que momentos não voltam e por que é assim devem ser aproveitados. Um dente de leite da Tuca cai uma vez só, e quem não estiver lá para ver este momento, não o verá.
De repente eu, moleque de tudo, me vi como prioridade para alguém que não precisava fazer nada disso. Graça. Fui agraciado. Presenteado. Homenageado.
De repente tudo isso que eu prego aqui neste blog aconteceu comigo de uma maneira que eu mesmo nunca tive competência de fazer. Graça. Graça. Graça. Amor. Coragem.
De repente conheço alguém que vem na contramão do mundo, e mata no peito as cobranças vazias de quem só busca dinheiro, reconhecimento, produzir, produzir, produzir! Não. “Eu não quero isso para mim. Quero ver o Minoru tocando. A Tuca andando de bicicleta. Minha esposa dormir e acordar. Tomar café junto. Brigar mais. Ficar feliz mais. Acompanhar essa esteira angustiante que não dá trégua.”
Zó, neste momento você está na Honda se despedindo de todos. Como você, também estou chorando, mas no meu quarto. Mas amanhã... amanhã venha pra casa de vez. E então honraremos tua presença e cearemos comovidos. Será bonito. Venha! Venha! Podemos abrir uma quitanda, uma floricultura. Um café quem sabe! Venha... estamos aqui em casa.
Chorando, como sempre.
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