Sim, dependa. Não busque tanto a autossuficiência. Não consiga sozinho. Não tenha tanta afobação para sair das asas de alguém e se ver “livre”. Mas siga, e assim consiga junto. Sonhos bons são os pescados à dois. Um amigo meu me perguntou “Qual o prazer de comer uma peça de picanha num churrasco sozinho?!” (Will Barros).
Livre-se das pressões externas que te abreviam os dias de filho(a), de cuidado(a). Repouse no seio de quem ainda te acalenta. Não deixe que a afobação de provar algo para o mundo prevaleça aos afagos que você ainda ganha. Este “ainda” muda tudo. “Ainda”: momento em que a Saudade de veras não entrou, mas bate à porta. Quem “ainda” está, está a um fio de não estar mais. Aproveite!
Pessoas próximas e que eu amava muito tornaram-se extremamente idiotas e arrogantes após terem pressa para serem senhores de si. Desandaram a pseudo-autônomos que internamente se amarguram por não terem encontrado a fada do dente em seus apartamentos particulares. Mas neles, pedem pizza e se assentam para jantar com seu próprio orgulho. Gosto de dizer “Seja teu o meu tempo, para que sejam meus também os teus sonhos.” O êxtase solitário é mentiroso. O clímax solo, não passa de vontade de ser junto. A vida de uma pessoa independente é uma masturbação, vazia e solitária. Muito mais alto é o brado gritado à duas vozes. Jesus era o amigo da festa, e festa não se faz sozinho. Triste de quem tenta.
Saiba apenas que tudo pode ter uma boa hora de ser. Goze o compasso de cada fase. E quando realmente achar que deve, viva outros sonhos. E aqui não me refiro a outros sonhos seus, mas viva os sonhos de um alguém que encontrou e em quem acredita. Troque ou, acrescente mais pessoas a quem depender. Dependa do amor delas. Faça questão de conseguir o abraço daquela pessoa difícil pois um dia não será mais forçado. Peça beijos a quem você ama. Deixe a sustentabilidade para os ativistas chatos. Se pudesse dar um conselho a alguém eu diria:
“Quem faz questão de toques constantes não carece de amor, mas emana um excedente infindável.”
Dêmos as mãos e assim construiremos um barco, com o qual viajaremos até Marrocos e contaremos nossas histórias em fogueiras de algum acampamento.

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