Como morrem os elefantes



Segundo um de meus canais de televisão favoritos, os elefantes velhos quando estão percebendo a morte próxima, se desligam do grupo. Passam a responsabilidade da condução ao próximo da hierarquia e caminham. Dizem que vão até onde a visão dos mais novos não alcança. Lá, imagino eu que choram e morrem.
Ha alguns meses num exame de rotina soubemos que minha avó está com um tumor no pâncreas. Um agravante é uma segunda doença que a impossibilita de sentir dores. Essa acarretou um crescimento tão rápido quanto sorrateiro de um câncer. Semana passada foi a operação. O tamanho avançado fez os médicos abrirem e fecharem minha avó sem que nada pudessem fazer. Mandaram-na até de volta para casa. Não há nada a fazer senão esperar...
(silêncio)
Agora estou assim. Converso com ela, olho seus olhos, ela me responde, faz chá... As vezes não acredito que lá dentro dela tem alguma coisa errada. Parece tudo tão cotidiano.
Ontem foi o almoço de páscoa. Todos fomos. Ela não quis. Parece que deixou ontem o bando seguir o protocolo sozinho pela primeira vez.
Nossa... como estou triste... ...nossa.
Parece que meu peito se aperta contra ele mesmo se contraindo até impedir a entrada do ar. Minhas noites estão compridas e espinhosas. Hoje todos os risos na minha casa são falsos e todas as palavras estão maquiadas.
Meu coração está com câimbra de tristeza. Talvez não escreva mais por algum tempo.

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Eu, um mosaico e uma Quitanda

Existe um livro capaz de numa discussão, fundamentar a posição de pelo menos cinco sábios de opiniões diametralmente opostas. Chama-se Bíblia.

Como consequência temos inúmeras teologias resultantes. Todas bonitinhas! Com corinhos e versículos decorados por crianças desde cedo formatadas.

O interessante, é que assim como numa quitanda, cada um pega aquilo que mais lhe apetece. Pendemos a aceitar a vertente que menos nos incomoda. “Aparamos as arestas do evangelho até que se molde a nós” Paulo Brabo. Um dos critérios para a escolha é o nível de responsabilidade que esta ou aquela opção vai me exigir.

Existem leituras deste livro para aqueles que gostam de filmes de ação! Com superpoderes! Bolas de fogo! Guerras aqui e ali! Baixas inevitáveis de combate! Golpes!

Existe a leitura da Disney. Com bosques que brilham anoite! Histórias de monstros! Vilões e mocinho com tudo que Narnia possa mais oferecer –e eu adoro Narnia!-

Existe a leitura dos canalhas. Que em tudo o que de mal fazem, têm o respaldo de “serem fracos humanos, e por isso tentados pelo diabo”. Esses são os que entram no motel por “sujeira do Astuto”.-sim. Sitei a sua história seu safado sem-vergonha-.

Uma outra muito confortável é a dos preguiçosos. -Ah! Essa eu adoro as vezes haha!- Nessa, se você não passa num vestibular ou numa entrevista, jamais é por que não está no nível mínimo aceitável. Mas sempre porque Deus sabe o que faz! “Imagina, ela é uma menina de ouro! Claro que Deus que não quis! Isso poupa-nos de lidar com derrotas. Porém cria “adolescentes perpétuos” que por não saberem se reconstruir baseando-se no exemplo vivo de Jesus Cristo de Nazaré, entram em depressão.

A minha posição? Eu, por não ser dono da razão, nem prepotente a ponto de achar que vou para o céu e outros não, fico com o “abaixar das armas”. Fico com uma vida responsável pelos meus atos. Fico com a responsabilidade de tentar chegar o mais perto da vida que Deus sonhou que eu tivesse. Vendo Deus não como um ventríloquo, mas como uma mãe que espera seu filho de uma balada. Rezando para que ele esteja pondo em prática o que ela ensinou. Meu Deus torce por mim!

Quanto aos sábios, se tivessem a grandeza de se quebrantarem, com os cacos fariam o mosaico mais belo ja visto. Pois seria da face real de Javé.

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Casa da vó


Ela é Lusitana, tem fiospretos e brancos na cabeça. Não resiste a um bom sorvete. Na verdade não resiste a nada. Por muitos anos bordou meu nome nas minhas cuecas. Nas cuecas, nas blusas, nas meias, camiseta, toalhas, gorros e tudo mais onde uma agulha entrasse. Tem um prazer tão estranho quanto inquestionável em tomar remédios todas as manhãs. É Corinthiana e usa aparelhos para audição. As vezes quando fico muito tempo brincando e fazendo piadas, ou quando insistentemente fico perguntando coisas sobre o mundo ela desliga esses aparelhos. Ai a conversa acaba e ela parece descansar. Pizzas sempre de alcachofras. Lombadas não existem quando ela dirige. Ela também leva chocolates para o quarto que eu sei. Bebida? Sempre tônica com limão.

Ele é nipônico. Fala bem em público. Sabe muito sobre tudo. Estrelas, mapas, histórias, culturas, receitas e como converter medidas em geral em qualquer coisa. É São Paulino, e porque é assim eu também sou. Às quartas sempre assistimos de cueca aos jogos na sala de televisão. Só nós dois. Os dois Minorus. Tenho prazer em ser com ele, e sei que um dia vou sentir muita falta de hoje anoite.

Ele é diferenciado. Elegante. Teria muito gosto em comer sashimi comigo algum dia. E eu vou aprender a comer. Rápido. Gosto de muitas coisas nessa vida, mas nada me enche mais os olhos de lágrimas, do que o orgulho de saber que eu carrego em mim, Teu nome: Minoru.

Essa será minha homenagem: escrever uma história digna e com valores que gerem sempre mais vida. Dizer a verdade e não aceitar dinheiro sujo. Ser elegante e buscar sempre uma vida honrosa como todo leal Samurai Bushido.

Amém.

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Falando em Sutilezas sem sutileza


Ontem eu fiz uma experiência. Apertei aquele botão no rádio que fica trocando as estações de sete em sete segundos. Nessa condição (à primeira vista ridícula e desconfortável) fiz o caminho de casa até a faculdade em aproximadamente uma hora e quinze minutos.

Ouvi de tudo. Fragmentos de notícias –com as quais me incomodava podendo apenas imaginar o final- , boas musicas –que judiavam de mim ao me tentar fazer parar com esse experimento enlouquecedor-, ruídos... Mas o que mais me chamou a atenção foi o nível de sutilezas que é oferecido e que muitos de nós estamos acostumados.

Tudo bem um refrão “Tô feliz da vida”, mas é que já existe quem diga “O chão brilhava e a casa ria”. Não tem problema ouvir “Quero me afogar num copo de cerveja”, mas é que já inventaram “Coração roda de engenho, feito o meu movido à magoa. Quanto mais mágoas eu tenho, gira mais a roda d’água”.

Muitas mulheres hoje em dia nem fazem mais tanta questão disso. Embora neguem até a morte. Testemunhei pelo menos três que se ouriçaram mais ao ouvir que são “gostosas” do que ouvindo “te foram generosos com os traços”.

Ser sutil não quer dizer ser “mole”, parado, bobo, velho. É apenas que ao invés de “vô atola!” prefere-se dizer como Edu Lobo: “abre teu coração, ou eu arrombo a janela”. Ou “Ele me comia. Com aqueles olhos de comer fotografia” em uma História de Lilly Brown! Isso é demais!

Coisas escrachadas carecem de elegância. É como um presente que já vem aberto. A magia está também no desembrulhar. Imaginar como é dentro. Cores e sabores. O cheiro e o gosto.

Bom, vai ver eu é que nasci em década errada. Mas é que não me encaixa conhecer alguém que já come de garfo, dirige, se limpa sozinho e acordam com despertador se satisfazer com “vamô pula!” ou “bota a mãozinha pra cima! Bate na palma da mão! Tcha! tcha! tcha!”. Ou mesmo mulheres que se apaixonam por serem chamadas de “fada querida”.

Afie seus sentidos. De peso ao falar pouco. Faça questão disso.

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Convite


Um dia eu acordei e percebi que precisava escolher entre aquilo que parecia lógico e aquilo que soava loucura. Aquilo que estava mais perto ou aquilo que nem sabia ao certo onde estava. Foi então que algo veio de encontro a mim e me apertou.
Vi ai que a única coisa que me completava era uma porta que nem sempre está aberta. Optei por não mentir para mim mesmo. Pois isso nega a vida.
Sabe, e se hoje você morresse? Estaria tranquilo e de acordo com o que escreveriam em sua lápide?
Não afirmo de veras convicto o que vai acontecer com a minha vida, mas acredito que estou deixando aos meus filhos a coisa mais bonita que eu, nas minhas limitações, poderia perpetuar: Uma história de alguém que viveu um sonho. Meu sonho é o meu legado. A maneira como corri atrás dele.
Ainda que eu não consiga chegar em algum lugar e cravar minha bandeira, eu vou andando. Eu sempre ando. Este ano termino a faculdade. Estou com medo sim. Mas até aqui tem acontecido muita coisa animadora. E se um dia perceber que corri no sentido errado, ainda assim, estarei emocionado. Pois suei cada gota com o coração no que faço. Venha, e divida comigo a beleza de não ter certeza.
Meu nome é Minoru Rodrigues Ueta Raphael. Músico. Sonhador. Apaixonado. Acabo de acordar, e estou calçando o tênis para tentar hoje uma vez mais.

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