Remoçar.
Não faz muito tempo que eu mudei.
Aos próximos, ainda não é habitual me ver assim.
Vejo-me como que por milagre, arredio da sombra.
Vejo-me melhor.
Sim... Melhor.
Sem o apoio dos corrimões, desço correndo e assobio à atrapalhar os que estudam!
Meu deus como é bom me ver assim!
Não menos pecador, mas parece que de alguma maneira –se é que seja possível- sinto Ele mais feliz por ter me consertado hoje um tanto mais.
No transito, aquele que outrora me fazia escrever com aversão, agora é meu amigo. Como um parceiro, segura os carros de acerca e, com o tempo, lambuzo-me com a beleza do presente!
Sou então liberto das amarras e num dia com o poente nunca perto, venero não só os desenhos nas nuvens, mas também a lapideis natural das pedras ao chão!
Com a felicidade embriagada de um cão solto atrás dos patos, durmo todas as noites.
Tenha Deus piedade não exclusivamente do coração, mas guarde os rins, as costas,o ciático e não sei... O pâncreas. Tudo! Quero viver trezentos anos!
Tudo me alegra no dia em que estou...
Alegra-me porque com ela, tenho a prova de que Deus ouviu todas as coisas que meus joelhos ao chão pediam por tanto tempo, e de Graça, me fez um agrado...
Amém.
Um agrado aos meus Joelhos...
Nunca dispute com a Lua.
Concorrência Desleal
Sob a candura e conforto do céu angelical, numa noite tecida à mão e salpicada pontualmente de estrelas não aleatórias, mas estrategicamente dispostas pelo artífice Soberano, eu observo. Observo de longe, mas, perto o bastante para entender a submissão daqueles olhos nunca antes tão perplexos como agora. O teto negro e opulente do mundo rouba toda sua atenção. Hipnotiza. Tem-te nas mãos com a superioridade absoluta, mais que maternal. Eu observo. Cada corpo celeste exerce como que um relógio a pendular nas mãos de um mágico, te roubam do agora e te levam para algum lugar que eu apenas almejo. Eu observo.
E num fim tétrico, eu invejo a noite. Murmuro interiormente palavras feias e disformes. Atitude feia e baixa, mas condizente com meu desespero e tamanho. A invejo pois, não sou parte do seleto grupo de coisas desse mundo que com um dom desconhecido, com naturalidade te roubam do agora.
Não nego outros dons que talvez tenha eu recebido de Deus. Não. Apenas rumino incansavelmente dentro de minha pequeneza o fato de não ter essa tal aptidão perfeita. Por isso apenas observo. Invejo.
Não Tenho luzes ou pontos refletores que te ajudem a andar na noite. Não posso resfriar seu sono com sopros de seda e tão pouco tenho capacidade para cobrir o mundo com um lençol preto, guardando este até que acordes no dia seguinte. Não tenho, ainda que com minha tenra música, o poder de repousar os animais ou saciar a sede das plantas.
No fundo, sereno e leve na voz, quedo aliviado. Não é a noite uma pessoa de carne. Eu, homem, não agüentaria tamanha concorrência desleal...
Sob a candura e conforto do céu angelical, numa noite tecida à mão e salpicada pontualmente de estrelas não aleatórias, mas estrategicamente dispostas pelo artífice Soberano, eu observo. Observo de longe, mas, perto o bastante para entender a submissão daqueles olhos nunca antes tão perplexos como agora. O teto negro e opulente do mundo rouba toda sua atenção. Hipnotiza. Tem-te nas mãos com a superioridade absoluta, mais que maternal. Eu observo. Cada corpo celeste exerce como que um relógio a pendular nas mãos de um mágico, te roubam do agora e te levam para algum lugar que eu apenas almejo. Eu observo.
E num fim tétrico, eu invejo a noite. Murmuro interiormente palavras feias e disformes. Atitude feia e baixa, mas condizente com meu desespero e tamanho. A invejo pois, não sou parte do seleto grupo de coisas desse mundo que com um dom desconhecido, com naturalidade te roubam do agora.
Não nego outros dons que talvez tenha eu recebido de Deus. Não. Apenas rumino incansavelmente dentro de minha pequeneza o fato de não ter essa tal aptidão perfeita. Por isso apenas observo. Invejo.
Não Tenho luzes ou pontos refletores que te ajudem a andar na noite. Não posso resfriar seu sono com sopros de seda e tão pouco tenho capacidade para cobrir o mundo com um lençol preto, guardando este até que acordes no dia seguinte. Não tenho, ainda que com minha tenra música, o poder de repousar os animais ou saciar a sede das plantas.
No fundo, sereno e leve na voz, quedo aliviado. Não é a noite uma pessoa de carne. Eu, homem, não agüentaria tamanha concorrência desleal...
Eu e meu amigo inseparavél...
John Coke
Em algum dia durante o meu terceiro ano de vida, fui apresentado a um senhor. Anos se passaram e mesmo estando sempre juntos, nunca me atentava a alguns comentários despretensiosos porém de extrema sabedoria por ele feito. Infelizmente aprenderia a valoriza-lo quase dezoito anos depois...
Completado minha irmã o pré II, fizemos uma pequena comemoração em casa com pizza e balões. Houve até um “parabéns pra você” - música preferida da homenageada -. Dali a alguns minutos aprenderia uma das maiores lições de minha vida. Conversas, risadas, música, comida, tudo ao mesmo tempo, enquanto vários sonhos eram alimentados uns pelos outros ao redor da mesa.
O grisalho, sempre presente, num momento desprevenido, sem prolixidades disparou:
-“Presenteie o mundo com o seu melhor”.
Em meio ao barulho eu silenciei, em meio aos risos eu petrifiquei. As notas do rádio voavam e eu pausava, a noite lá fora era candura, mas por dentro eu me questionava:
-“Nossa... O que seria eu para esse mundo? Será que se eu morresse hoje eu teria dado o meu melhor para o mundo? Faria eu falta a alguém q não esta aqui sentado?”
Deixei meu corpo juntos aos que festejavam por alguns minutos e fui atrás de fotos velhas. Involuntariamente me bombardeava: “O que escreveriam na minha lapide ou na minha nota de falecimento?! Teria algo importante a ser escrito?! Teria algum motivo além da graça, Deus pra me por no céu?!”
No primeiro reflexo queria salvar as baleias. Não há baleias aqui! Depois árvores. Mas plantar agora?! Seguiram-se os micos-leões, as araucárias e até alguns povos da África. Não havia saliva para engolir.
Sorrindo o sábio velho me mostrou o que estava a meu alcance.
-“Pessoas... Você tem pessoas. Boas pessoas estão em extinção. Salve-as. Seja como o sal que acrescenta dias à carne, ou simplesmente como as redes dos valentes barcos no Amazonas, que emanam paz e segurança aos que esperam o fim da viajem. Resolva problemas”.
Aquilo me envergonhou. O velho John Coke não desistiu de mim. Por quase duas décadas. Esperou até que eu entendesse. Para me salvar.
Apenas permita-me fazer duas correções nessa história. Minha irmã terminou o pré III e John Coke na verdade foi um personagem criado para substituir uma latinha de coca onde os dizeres estavam escritos.
Não subestime as maneiras que Deus pode falar com você...
Em algum dia durante o meu terceiro ano de vida, fui apresentado a um senhor. Anos se passaram e mesmo estando sempre juntos, nunca me atentava a alguns comentários despretensiosos porém de extrema sabedoria por ele feito. Infelizmente aprenderia a valoriza-lo quase dezoito anos depois...
Completado minha irmã o pré II, fizemos uma pequena comemoração em casa com pizza e balões. Houve até um “parabéns pra você” - música preferida da homenageada -. Dali a alguns minutos aprenderia uma das maiores lições de minha vida. Conversas, risadas, música, comida, tudo ao mesmo tempo, enquanto vários sonhos eram alimentados uns pelos outros ao redor da mesa.
O grisalho, sempre presente, num momento desprevenido, sem prolixidades disparou:
-“Presenteie o mundo com o seu melhor”.
Em meio ao barulho eu silenciei, em meio aos risos eu petrifiquei. As notas do rádio voavam e eu pausava, a noite lá fora era candura, mas por dentro eu me questionava:
-“Nossa... O que seria eu para esse mundo? Será que se eu morresse hoje eu teria dado o meu melhor para o mundo? Faria eu falta a alguém q não esta aqui sentado?”
Deixei meu corpo juntos aos que festejavam por alguns minutos e fui atrás de fotos velhas. Involuntariamente me bombardeava: “O que escreveriam na minha lapide ou na minha nota de falecimento?! Teria algo importante a ser escrito?! Teria algum motivo além da graça, Deus pra me por no céu?!”
No primeiro reflexo queria salvar as baleias. Não há baleias aqui! Depois árvores. Mas plantar agora?! Seguiram-se os micos-leões, as araucárias e até alguns povos da África. Não havia saliva para engolir.
Sorrindo o sábio velho me mostrou o que estava a meu alcance.
-“Pessoas... Você tem pessoas. Boas pessoas estão em extinção. Salve-as. Seja como o sal que acrescenta dias à carne, ou simplesmente como as redes dos valentes barcos no Amazonas, que emanam paz e segurança aos que esperam o fim da viajem. Resolva problemas”.
Aquilo me envergonhou. O velho John Coke não desistiu de mim. Por quase duas décadas. Esperou até que eu entendesse. Para me salvar.
Apenas permita-me fazer duas correções nessa história. Minha irmã terminou o pré III e John Coke na verdade foi um personagem criado para substituir uma latinha de coca onde os dizeres estavam escritos.
Não subestime as maneiras que Deus pode falar com você...
A Musica Senhora de Engenho
Pensamento em uma pausa
No breve tempo de uma pausa vejo-me forçado a descansar o baixo por sobre a cama.
Os dedos estão moles e fracos como de uma criança. Teima. Teimam como se por birra. Não respondem! Sento então. Ocupo-me aleatoriamente com coisas banais, suficientes apenas para me tomar o tempo necessário para que aqueles voltem a trabalhar direito. Grave, de certo. Talvez como resposta à malcriação presenciada, vasculho-me à procura de motivos que, por conseguinte me fizeram aqui.
Friamente nada faz sentido. Sei apenas que tenho que ouvir música, boa e feliz por apenas ser – se saída de mim, melhor ainda!-. Penso. Penso e temo. Penso e tremo, sozinho enquanto todos dormem. Então como sempre me assusto com a idéia de que aposto minha vida em algo que não posso nem ao menos ver! Contraio-me como se com frio. Ainda noite. Ao toque dos dedos também é longe. Fito com o olhar langue de Fernando Pessoa o dito impossível, ou o mais perto dele possível.
Não! Atenta! Vejo-a nas árvores e nos pássaros. No sorriso maduro e verdadeiro de minha irmã, apesar da tenra idade. Vejo-a nas pessoas. E por através de suas roupas e palavras. Algumas cantarolam no caminho.
Ah! Faça-me o favor! Cá estou eu de novo a me desesperar para justificar-me! Demônios! Sei apenas que tenho que ouvi-la. Mais do que fazê-la, servi-la. E isso me basta.
Bom, com os dedos respirados volto. Volto e mergulho em minha alienação. Feliz... Nossa, como me deixa feliz... Mas alienado, tão alienado quanto escravo. A ilha de Robson Crusoé. Minha casa onde outros temas não passam à porta. Ao ver perigo de algo que possa dividir a atenção, corro e em breve tempo até as janelas dos fundos cerram. Por conveniência lacro-as. Isso agora sim.
Mais uma vez nada disso faz sentido algum. Sei apenas que involuntariamente ou não, tenho que ouvi-la. Ouvi-la, fazê-la e servi-la. Um criado feliz e grato. Cego e confuso, porém feliz e grato.
Que nos dias de velhice que minha alma teme, tenha Deus misericórdia pelo menos dos ouvidos.
Minoru R. U. Raphael
No breve tempo de uma pausa vejo-me forçado a descansar o baixo por sobre a cama.
Os dedos estão moles e fracos como de uma criança. Teima. Teimam como se por birra. Não respondem! Sento então. Ocupo-me aleatoriamente com coisas banais, suficientes apenas para me tomar o tempo necessário para que aqueles voltem a trabalhar direito. Grave, de certo. Talvez como resposta à malcriação presenciada, vasculho-me à procura de motivos que, por conseguinte me fizeram aqui.
Friamente nada faz sentido. Sei apenas que tenho que ouvir música, boa e feliz por apenas ser – se saída de mim, melhor ainda!-. Penso. Penso e temo. Penso e tremo, sozinho enquanto todos dormem. Então como sempre me assusto com a idéia de que aposto minha vida em algo que não posso nem ao menos ver! Contraio-me como se com frio. Ainda noite. Ao toque dos dedos também é longe. Fito com o olhar langue de Fernando Pessoa o dito impossível, ou o mais perto dele possível.
Não! Atenta! Vejo-a nas árvores e nos pássaros. No sorriso maduro e verdadeiro de minha irmã, apesar da tenra idade. Vejo-a nas pessoas. E por através de suas roupas e palavras. Algumas cantarolam no caminho.
Ah! Faça-me o favor! Cá estou eu de novo a me desesperar para justificar-me! Demônios! Sei apenas que tenho que ouvi-la. Mais do que fazê-la, servi-la. E isso me basta.
Bom, com os dedos respirados volto. Volto e mergulho em minha alienação. Feliz... Nossa, como me deixa feliz... Mas alienado, tão alienado quanto escravo. A ilha de Robson Crusoé. Minha casa onde outros temas não passam à porta. Ao ver perigo de algo que possa dividir a atenção, corro e em breve tempo até as janelas dos fundos cerram. Por conveniência lacro-as. Isso agora sim.
Mais uma vez nada disso faz sentido algum. Sei apenas que involuntariamente ou não, tenho que ouvi-la. Ouvi-la, fazê-la e servi-la. Um criado feliz e grato. Cego e confuso, porém feliz e grato.
Que nos dias de velhice que minha alma teme, tenha Deus misericórdia pelo menos dos ouvidos.
Minoru R. U. Raphael
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