Meu causo...

“U Veio I eu”

Debaixo daqueles “gaios” sem “foia”

Naquela terra trincada donde inté os mais valenti calango arroia

Discançava de bruço um sinhô veio.

Naquele sol que inté “incascuia” os óio

Os bicudo preto, do alto, circulavam já

O vento que assubiava di longe vinha

I traziam inté o chero do taperebá.

Na muringa só areia

As firida já secaru

as camisa num crareia

nem os cabelo mais penteia

já sem as dor dos corte

O veio no seu leito de morte

Ainda com as lembrança forte

Surria!

Surria!Assim!di due os dente fraco.

Surria purque dianti das agúia

E das oferta q o diabu puía

Num iscurrego!

Surria purque mesmo di coro chorado

Os dedo do veio inrrugado

Jamais apunto pa outro lado

Surria purque mesmo cum u sangue na testa

As barba ingrisaiecerum honesta.

Daí u motivu da festa.

Assim durmiu pa sempri o veiu nu caminho

Seco e cum as custela fina

Mai limpo dos ispinho...

Nu céu, pa sempri já intro

Na terra eu , bem vestido e di bucho cheio, inté hoje percuro a saída.


Minoru Rodrigues Ueta Raphael

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Minha música

Minha música

Parado em mais um dia de transito, eu comecei a pensar em reações que eu queria que a minha música um dia causasse nas pessoas. Coisas que dariam extremo sentido a minha vida. Comecei a conversar com Deus.

“Sabe, eu queria que as pessoas quando ouvissem a minha musica, que elas sentissem alguma coisa assim como eu sinto quando a faço. Ou que simplesmente quando estivessem passando de estação em estação sem parar, que se um dia passasse a minha, elas dissessem “Opa!”, ainda que não deixassem por muito tempo. Queria que elas a cantarolassem no banho! Que os bêbados a cantassem com aquela alegria sinuosa que lhes é peculiar pelas sarjetas, ainda que errando a letra! É! Eu queria que as pessoas daqui a 40 anos, se ouvissem a minha música, que elas falassem “Nossa! Lembra amor? Foi naquela viajem!”. Que elas murmurassem pelo menos a melodia enquanto amarram o cadarço do tênis. Não almejo muito nenhum sucesso Faustãonistico ou fama Redeglobistica. Me embriagaria mais saber que lapidei algum legado aos que aqui ficaram. E esses o estudariam se assim fosse. Não precisariam nem gostar, mas a respeitariam como as palavras mais verdadeiras de alguém. Pensando bem, trocaria até as rabanadas de natal da minha tia Lourdes para ver alguém, por exemplo, se emocionando com a minha musica. Nossa, até as rabanadas! Isso mesmo. Deixaria de comer sucrilhos e tofu todos os dias ou até mesmo de esfregar os pés na cama ao me deitar depois de tirar as meias de um dia inteiro. Comeria mais chicória e daria banho em minha cachorra todos os dias! Tudo pra presenciar qualquer inferência realmente verdadeira em um ouvinte. -Reparou que eu nem disse que precisa ser positiva? Bastar-me-ia a veracidade.-. Certificar-me-ia o sentido da vida se alguém, ao ouvi-la, dissesse ao do lado “Essa! Essa! Ouve essa!”. Se tocasse em algum casamento por escolha dos noivos, se fosse fundo para qualquer discurso ou mesmo se fosse parte de algum ritual rotineiro de alguém para dormir. Queria que ela subisse ao céu como aroma agradável. E que lá chegando despertasse os anjos com candura. Me faria gosto se alguém a colocasse num cd gravado, aqueles onde apenas acomodamos as que mais gostamos. Ou que fosse marca registrada de alguém “Olha! sua música ta tocando!”. Me encheria os olhos até se fizessem com ela uma daquelas versões de dia dos pais que as crianças primarias cantam na escola! Danem-se os direitos autorais! Seja de todos tudo que é sincero e sem disfarce! Que roubem a musica então! Assim mais pessoas, aquelas quais meu curto braço não chegou a ouvirão! Melhor! Assim farei a segunda música minha! Essa será ainda melhor que a primeira e por sua vez pousará em ouvidos já laceados, e quiçá ansiosos! Sim! Roubem-na de mim! ... Bom, ai já seriam outros quinhentos... Vamos por partes...

Minoru Rodrigues Ueta Raphael

7 comentários:

Nada mais honesto que começar assim...

Dissecação

Se por um ápce de lucidez eu parasse meu dia por alguns minutos e pensasse mais do que friamente, ou realista de maneira simplória como adoro ser. Se tivesse a coragem de encarar a mim mesmo uma única vez. A sujeira não caberia na concha feita com as mãos. Entenderia, quem sabe, que se fosse eu de veras sincero comigo mesmo na intensidade que gosto de arrotar publicamente pelas praças, dissecaria primeiro a mim mesmo, conhecendo-me, e mais do que isso, reconhecendo todas as lacunas a corrigir e a preencher. Às acertaria se assim o fosse.

Começaria por exemplo reconhecendo que se não fosse eu tão orgulhoso ligaria agora àquele tio e diria o quanto o amo.

Se não fosse tão rancoroso e medroso casulo adentro não arranjaria tantos subterfúgios usados desculpas mil e iria logo até lá e diria tudo. Como não o fiz covardemente.

Se realmente amasse ao próximo como a mim mesmo, o acompanharia naquela noite por mais cansado que eu estivesse.

Se não tão materialista. Tão ou até mais do que aqueles que cegamente eu ataco com fome, veria quão valorosas as pessoas a minha volta são. E quão misericordioso Deus tem sido permitindo com que elas ao meu lado continuem.

Se pensasse menos em mim, como o conselho cinicamente dado ao amigo errante, veria como são as pessoas pacientes comigo mesmo! E como engolem pedra goela à baixo freqüentemente tolices minhas.

Não fosse o egocentrismo que transpiro e transbordo, não recolheria o braço em horas de tamanha importância a terceiros.

Não fosse o descaso que disputa espaço com meus glóbulos vermelhos, ouviria atenciosamente aqueles que a mim recorrem sangrando.

Não fosse o acomodamento que marca meu sofá, não teria a consciência política infantil de que hoje desfruto. E que como se não bastasse nem me faz vermelho diante de comentários rampeiros e em horários inoportunos!

Se não me faltasse vergonha na cara, não cometeria estrelas no céu tantos erros gramaticais à minha própria língua!

Outrora com fé de verdade, não desgastaria pelo uso constante o botão de um pecado já cometido e aprendido. Ainda o aperto.

Não fosse a fome por coisas desse mundo, estaria agora ao lado de minha família num pic-nic. Mas cá estou eu trancado planejando o próximo golpe.

Se tudo que eu falasse sobre autoconfiança fosse original a mim, sairia agora eu com as vergonhas a mostra na rua. Por que não? Não te asseguras de si?

E você? Hem?! Que tanto olhas com feição de criança ao zoológico? É... Não fosses tu tão igual a mim estaria a constranger-se de tanto identificar-se com tamanho lixo e não questionando minha arrogância de pirata bares à dentro.

Enxerga-te também se sois tão viril assim!

Encara-te! Aprenda-te e corrija-te.

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